Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Capítulo 86

Semana passada adicionei mais um filme ao Top 3, que agora é Top 4, de piores filmes da história do cinema: 2012. Mas antes de comentar sobre ele, vou discorrer sobre os 3 anteriores.

1 - Reencarnação, que agora se escreve Re-encarnação.

Andréa bem que tentou me avisar sobre esse filme. Ela disse "Raquel, foi o pior filme que eu já vi na minha vida. Não veja! Nem de graça, porque mesmo assim ainda vai ser um tremendo desperdício de tempo!!". Mas apesar de todos os seus esforços, incentivada pelo tédio absoluto de Macaé num domingo, fui ver Reencarnação no Cine Macaé Shopping.

Não valeu os 2 reais da entrada de estudante. Juro. Não valeu. A história é mais ou menos assim: começa com um cara correndo do Central Park. Ele tem um ataque cardíaco e morre. A viúva dele (Nicole Kidman) depois de alguns anos encontra-se noiva de outro cara. Um menino de por volta 10 anos aparece pra Nicole Kidman e se diz reencarnação do seu falecido marido. Ele sabe detalhes de suas vidas íntimas. Sabe apelidos, carinhos, fatos, o jeito como ele anda e fala e está apaixonadérrimo pela Nicole Kidman e dizendo pra ela não casar com o tal cara.

Nicole Kidman se vê dividida e disposta a largar toda a sua vida atual pra esperá-lo atingir a maioridade e casar com ele. E assim o filme anda, passa, microfones aparecem em cena mais de uma vez, ela toma banho na banheira com o menino... e no final... não era nada disso! O menino tava mentindo!!! Ele tinha encontrado umas cartas antigas dos dois e decorado. Mas que porra de final é esse?

2 - Poseidon e

3 - Guerra dos Mundos.

A Saga Premonição não entrou na minha listinha, porque por mais que ele seja um péssimo filme de terror, suspense, whatever, ele dá uma excelente comédia! Porque eu ri. Muito!

Mas esses dois últimos entraram pra lista pelo mesmo motivo que o nosso tão esperado 2012: previsibilidade absoluta. Tudo dá certo pros nossos protagonistas. Claro que eu não sou daquelas pessoas chatas que querem que todos os personagens principais morram no final, mas custa quebrar um dedinho ou outro no meio? Amputar uma perninha? Ter uma dor de barriga que seja? Mas não!

Em Poseidon o navio vira de ponta-cabeça no meio da festa de Réveillon! O mínimo era todo mundo estar embriagado, mas ao contrário, era uma equipe de heróis que conseguiu passar pelas adversidades e sair pelo casco no navio.

Em Guerra dos Mundos o filho do Tom Cruise se dirige a uma mega explosão de ETs sugadores de sangue fazendo a festa totalmente pirado e volta pra casa sem nenhum arranhão ou queimadura de segundo grau. Pior, ele volta pra casa! A casa dele ainda está lá! E todos da família dele se encontram sãos e salvos!

Em 2012 a família inteira + o padrasto conseguem escapar de um terremoto que dividiu o estado da califórnia no meio com o cara dirigindo alucinadamente, desviando de viadutos caindo, passando pelo meio do prédio e saindo num pulinho (já repararam que sempre tem uma rampa antes do final do prédio pro carro sair num pulo?), conseguiram um avião, o padrasto coincidentemente pilotava, foram pra Yellowstone, o vulcão entrou em erupção, eles desviaram de bolas de fogo, tinham que ir pra China, aterrisaram em Las Vegas, acharam outro avião maior que tinha piloto, escaparam da Terra ruindo abaixo dos pés deles de novo, o combustível tava acabando, as turbinas falhando, a crosta terrestre se moveu e eles conseguiram aterrissar, tinha um cachorro que conseguiu pular na arca no último segundo e sobreviveu, o padrasto morre e os pais das crianças ficam juntos, .. ridículo, né?

Isso sem contar o erro de geografia básico que tem no cartaz do filme. Vou deixar ele aqui pra vocês tentarem adivinhar:



Não conseguiu? Passe o mouse aqui: Tenho a impressão de que o cristo está olhando pro lado errado...

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Capítulo 85

Quando no apagão de 1999, confesso que fiquei um pouco frustrada por estar dormindo e nem suspeitar do que havia acontecido. Cheguei no colégio no dia seguinte e estava aquele alvoroço, todo mundo comentando o quão bizarro tinha sido, o estado inteiro apagado, etc, enquanto eu estava lá no meu décimo sono.

Acho que uma das razões para eu não ter acordado foi que, provavelmente, não fazia o calor dos infernos que anda fazendo aqui pelo Rio de Janeiro essas semanas. Se fizesse, com certeza eu teria acordado 3 minutos após o desligamento do ar condicionado. Fato. Mas isso não vem ao caso.

Hoje o nosso belíssimo e super eficiente sistema de energia me deu uma oportunidade de me redimir! Sou uma pessoa mais realizada agora que posso bradar ao mundo que estou aproveitando (no gerúndio pois a luz ainda não voltou - dêem Vivas ao laptop e à internet 3G) o apagão de 2009 em toda a sua plenitude.

O apagão se deu quando eu estava no ônibus indo pra casa. Aqui no bairro ontem faltou luz umas 6 vezes num intervalo de menos de uma hora, então achei que tinha sido mais uma dessas baixas de energia e nem me preocupei, logo vai voltar. Cheguei na porta do meu edifício e me dei conta: "Puta que pariu! Moro no décimo andar!". Subi os 10 andares de escada, com a mesma disposição e animação que qualquer um teria depois de uma aula de Krav Magá super reconfortante num forno pré-aquecido à 180 graus durante 5 minutos.

Cheguei no meu andar, coloquei a chave na fechadura com o auxílio da luz do celular e preocupei-me em adiantar as coisas que não precisavam de energia, como lavar a louça e tomar banho (alguém anda tomando banho com o chuveiro ligado nessas semanas? Eu não.). Daí me veio à mente a segunda merda do apagão, enquanto os vizinhos gritavam "AMPLA, EU PAGUEI MINHA CONTA!": eu havia programado para lavar todas as minhas roupas sujas essa noite, o que implica no fato de que amanhã eu vou ter que ir com alguma combinação bizarra de roupas que não estão sujas por não ter mais nada limpo pra usar.

Mas esse acontecimento não foi de todo ruim. Claro que não. Além da paz absoluta reinando nos arredores (depois da quase revolução da vizinhança com a Ampla, coitada, que dessa vez não tem culpa de nada), esse apagão encheu minha vida de romantismo. Tomei um romântico banho à luz de velas, comi um romântico jantar à luz de velas e, brevemente, passarei por um romântico estudo de física nuclear à luz de velas, já que amanhã eu tenho prova independente de haver ou não energia elétrica na América do Sul.

Domingo, Novembro 01, 2009

Capitulo 84

Aaah, o exercício físico! O esforço recompensado, o suor descendo pela testa e pelas costas. Levar seu corpo ao limite, perder o fôlego, retomá-lo. As amizades, a alegria do professor quando você acerta o golpe, mesmo que seja disfarçada com um "ISSO NÃO É BALET NÃO, SENHORES!".

Poder liberar o estresse, aprender algo pra vida toda. Disciplina, defesa, equilíbrio. Não é força, é jeitinho. Mas força também ajuda.

Aaai, o dia seguinte! Costas, pernas, braços, tórax. Acordar com dor, mas feliz.

Um aviso aos leitores que convivem comigo: semana passada voltei pro Krav Magá depois de 3 anos. Me aguardem!

Domingo, Outubro 25, 2009

Capitulo 83

Hoje eu dei uma olhada aqui nos comentários a moderar do meu blog e me deparei com uma mensagem anônima que dizia mais ou menos assim:

"Raquel,
Reflita, aproveite a vida e as oportunidades que ela lhe oferece. Sorria e veja o lado bom das situações e seja feliz.
Que tal passar a contar coisas maravilhosas que acontece (sic) com você, que podem servir de exemplo e até talvez de alento para alguém.
Que tal você virar a página, esquecer essas coisitas e pensar: que bom que tenho a UFRJ, tenho pique para chegar até lá, tenho pique para viver, tenho energia para encarar qualquer coisa.
Já pensou naquelas pessoas que nâo têm condições de fazer nada, forças para encarar a vida?
Uma amiga"

Bom, vocês sabem como eu não aguento com essas coisas anônimas e me vejo obrigada a respondê-la. É fato que essa pessoa não é minha amiga. Na verdade, essa pessoa nem me conhece, nunca sequer me viu na vida e eu posso citar várias evidências disso.

1 - Se conhecesse não ia me sugerir "sorria e seja feliz". Convenhamos, eu sorrio pra caramba. Não, não.. eu sorrio muito! Eu sorrio demasiadamente! Eu sorrio PRA CARALHO! E nesses últimos meses, tenho tido um excelente e moreno motivo pra me declarar extremamente feliz.

2 - "Aproveite a vida e as oportunidades que ela lhe oferece." E alguma vez eu deixei alguma oportunidade passar? Posso ser uma pessoa azarada, mas reconheço uma boa oportunidade quando me deparo com ela na minha frente e não largo de jeito nenhum.

3 - "pensar: que bom que tenho a UFRJ" AHNNN?? Como assim? Tá doidona, amiga? Aposto que você não estuda naquele lugar, pelamordedeus.

4 - "Já pensou naquelas pessoas que não têm condições.. blá-blá-blá-conversa-chata-de-gente-que-quer-me-fazer-sentir-mal-por-ser-privilegiada." Essa nem precisa ser rebatida, convenhamos.

5 - Por último, mas com certeza, sendo a mais importante de todas: "Que tal passar a contar coisas maravilhosas que acontece (sic) com você". Essa eu respondo com uma pesquisa, convidando todos os meus dois leitores assíduos a participarem: Quem aqui quer ler um blog aonde as coisas dão certo o tempo todo? Respondam nos comentários, por favor (SÉRIO!!).

AMIGAAAA, eu sei que seus objetivos foram os mais nobres possíveis (como o de tentar extrair o melhor de mim e etc) mas esse blog aqui é uma forma d'eu extravasar a raiva pelos azares que me ocorrem, do estresse nosso de cada dia e dos absurdos da sociedade e não um centro de ajuda psicológica ou terapêutica pros meus leitores (a não ser, claro, aqueles que se deleitam vendo eu me ferrar).

Porque, sim, eu sou uma pessoa tremendamente azarada, ocupada e perco meus cabelos numa taxa crescente de PG, mas nem por isso sou infeliz e carrancuda. Vivo a vida muito bem, obrigada.

Terça-feira, Outubro 20, 2009

Capítulo 82

Ainda falando sobre a chuva, quando ela cai sobre minhas duas maiores referências cotidianas (Macaé e Niterói) é certo de haver algo próximo de um pandemônio. Isso, graças ao excelente e super bem dimensionado e mantido sistema de drenagem que essas duas maravilhosas cidades ostentam.

A minha rua aqui de Niterói ontem tinha até correnteza e, quando eu disse que enfiei a perna na água até o joelho, foi no mínimo trajeto carro-casa, que não deveria passar de 10 metros. E acho que eu não tive a oportunidade de contar a vocês, adoráveis leitores, da minha pequena aventura em Macaé nas férias de janeiro.

Fui eu pra Macaé no meio das férias visitar meus pais que até então lá residiam. Como era verão, ao chegar em Casimiro caiu um toró daqueles de deixar Noé se sentindo um cara sortudo. Até aí nada de anormal. Nem mesmo o fato de ter entrado MUITA ÁGUA no ônibus era anormal, pra quem já viajou com BARATA no ônibus (aliás, qual é a dessas empresas de ônibus? Elas estacionam o ônibus no lixão?).


Chegando em Macaé, ainda chovendo, liguei pros meus pais pra avisar que estava tudo alagado e que era pra eles não irem me buscar de carro pra não correr o risco de afogar mais um na rua da rodoviária. Eu ia tentar arranjar um barco-taxi ou qualquer coisa assim. Esperei. Olhei. Liguei. Nada. Esperei mais. E ainda chovia horrores. Chegou uma hora que meu pai se estressou com a situação. Calçou um par de botas altas, me levou um outro par e foi me buscar na rodoviária a pé, desviando dos sacos flutuantes de lixo.

Abaixo uma foto ilustrativa de como ficam os canais da Veneza Fluminense.




Mas uma coisa que eu acho curiosa a respeito da chuva é como ela consegue incitar os instintos mais primitivos do ser humano. Aparentemente o caos causado pela chuva serve de desculpa para transgredir toda e qualquer regra da sociedade.

Aqui em Niterói é só cair duas gotinhas mais grossas que todo mundo começa a transitar pela contramão, subir em calçadas, bater em pessoas de óculos e assaltar velhinhas. Nesse evento de Macaé eu tive a oportunidade de presenciar um cara tirando as calças e indo embora de cueca pra casa.

"Pô, eu moro a 300 metros daqui e não consigo chegar em casa!".

Juro, fiquei estupefada. Guardarei pra sempre boas lembranças daquela cidade. "Macaé minha terra querida..."

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

Capítulo 81

Hoje eu constatei que, além de Murphy, São Pedro também parece bem disposto a querer FODER A MINHA VIDA. Se você, assim como eu, também achava que pegar uma chuva torrencial na cabeça era um evento com tempo de retorno de aproximadamente 7 anos, se enganou feiamente e dimensionou muito mal o seu sistema.

Não sei o que pode ser considerado um azar maior: pegar uma chuva de verão em pleno inverno no Sana (porque, aliás, aquele não é bem um lugar que se possa chamar de referência em coisa alguma) cheios de malas ou então pegar uma chuva de verão em plena primavera em Niterói voltando do francês de cabelo recém lavado, blusa branca e sem sombrinha.

Pelo menos dessa vez uma alma caridosa de nome exótico me ofereceu uma carona, o que me proporcionou a oportunidade de chegar em casa apenas 89% molhada, tendo que enfiar a perna até a altura dos joelhos na água (leia-se esgoto) somente uma vez, reduzindo drasticamente o meu tempo de exposição a doenças como leptospirose e cólera.

Aliás, o banho de álcool nos pés foi particularmente gostoso depois de um dia andando com um sapato que cria bolhas.

Sábado, Setembro 19, 2009

Capítulo 80

Só existe uma coisa pior do que ter que sair às 18h do fundão por causa de uma aula.


É sair do fundão às 18h por causa de uma aula, ter que ir de ônibus (porque, aliás, você não tem carro), nesse horário não passar mais o ônibus via Linha Vermelha (porque eles param de passar às 17h30), o ônibus vir lotado dos operários da construção civil que trabalham na obra do Novo Cenpes, você ter que ir em pé, não ter consigo o seu iPod e ser obrigada a ouvir a conversa de tais operários da construção civil, que falam num dialeto quase inentendível, junto com uma deliciosa música ambiente proveniente de um aparelho celular que se resumia basicamente à funks proibidões durante um congestionamento na Avenida Brasil e na Ponte que fazem a sua viagem durar 1 hora e 50 minutos.


Ou alguém discorda?