Sábado, Março 17, 2012

Capítulo 139

Eu sei que eu sou cri-cri, implicante, chata, velha, ranzinza e tudo o mais. Eu sei. E não precisa adicionar mais adjetivos na listinha, já estou trabalhando pra aceitar os que eu mesma me dei. Mas não tem coisa que me irrita mais nesse mundo do que ver uma mãe tratando o filho eternamente como um bebezinho. Em poucos dias, vi tantos exemplos disso que a revolta tomou proporções suficientes para ser extravasada aqui no meu adorado  (por mim) blog.

Uma dessas situações ocorreu ao pegar um ônibus. O filho da cobradora, que deveria ter por volta de 7 anos, estava no ônibus sentado do lado do motorista naquela parte mais alta que minha ignorância em mecânica não me permite afirmar do que se trata, chupando chupeta, rindo com um risinho bobo e gritando "mãe, eu vou cair hahaha mãe, eu vou cair, mãe! hahahaha" e a mãe toda toda com ele "É filhinho, hahahaha".

Véi, na boa, se fosse meu filho eu já mandava algo como "Moleque, se você acha que vai cair, então desce dessa porra. Não quero ter que chamar o SAMU pra desencalacrar essa chupeta ridícula do teu esôfago!".

Mentira.

Se fosse meu filho ele jamais estaria chupando chupeta aos 7 anos de idade e muito menos estaria "causando" no meu serviço.

Mas uma coisa que me irrita particularmente são aquelas mães que levam os filhinhos homens pra utilizar os banheiros femininos de shoppings. Tudo bem, não tem um homem pra acompanhar o filho no banheiro masculino? Tranquilo. Mas se ele já tem de 10 anos pra cima, vamos combinar que ele já pode ir sozinho? Porque o meu sobrinho de 3 anos já sabe mirar no vaso sem a mamãe precisar segurar o pipi dele, balançar e colocar de volta na cuequinha.

Mas não, aí entra aquele pré-adolescente no banheiro, com aquela penugem negra do bigodinho querendo aparecer, o pomo de adão surgindo, a voz desafinando e de mãozinha dada com a mamãe.

Mães desse meu Brasil varonil, acordem! Eduquem seus filhos para serem independentes. Senão depois que sofre é a nora....

Sexta-feira, Março 02, 2012

Capítulo 138

Insuportável e desumano.

Essas são as palavras mais apropriadas pra descrever o verão no Rio de Janeiro. Tudo bem que lá é calor o ano inteiro e, quando os termômetros marcam temperaturas abaixo de 20 graus, o pessoal já começa a tirar a poeira do sobretudo que estava encostado no armário. Tudo bem que lá é humanamente impossível vestir uma calça jeans entre os meses de novembro e março. E tudo bem que faz tanto calor que não dá nem pra ir pra praia sem ficar com uma insolação de leve e você bebe, em média, 3 litros de água por dia. Mas é que eu achei que estava me mudando pros Alpes Paulistas e que aqui as coisas iam ser diferentes.

Mas não são.

Ok, Campinas não é tão quente quanto o Rio de Janeiro. Aliás, eu creio fervorosamente que acontece algum fenômeno geológico-climático-sobrenatural que faz com que aquele lugar seja irritantemente quente o ano inteiro. Não é possível. Mas em uma coisa o Rio de Janeiro é melhor do que Campinas no verão. E essa coisa divina se chama Aparelho de Ar Condicionado.

Em absolutamente todo lugar do Rio há climatização do ar. Acredito que só não colocaram ainda uma bolha em volta da cidade e instalaram um ar condicionado central por motivos estéticos, o que acaba tornando os pequenos percursos como "sair do carro e entrar na loja" em pequenas frações de sauna grátis ao longo do dia e fontes de inesgotáveis dores de cabeça.

Quando eu ainda era apenas uma turista assídua de Campinas, já havia reparado num fato curioso: os prédios aqui são feitos sem o buraco destinado ao aparelho de ar condicionado. Ao indagar o fenômeno, ele me respondeu que era assim mesmo, porque aqui nos Alpes Paulistas não fazia tanto calor e não justificava ter ar condicionado.

AMIGAAAAAA, justifica sim. Está fazendo um calor quase carioca por aqui. E você, que é meu leitor e mora no Rio de Janeiro, você por acaso se lembra de como é dormir sem ar condicionado? Eu não me lembrava até o final de janeiro, quando São Pedro ligou a fornalha.

Aí você vem e me diz: Ah, Raquel, qual o problema? Faz um buraco na sua parede e instala o ar condicionado. E eu te respondo: Se fosse simples assim, eu já teria feito. O problema é que eu moro de aluguel, caros colegas, e fazer uma modificação assim ia gerar mais dor de cabeça do que a alternância entre o calor e o ar condicionado. Além de que não é só o buraco, tem a fiação elétrica também e as normas de condomínio.

Só que você é chato e vai me falar: Pô, Raquel (sempre detestei essa cacofonia), então compra aqueles climatizadores que eles dão uma boa melhorada no calor. E eu, obviamente, vou rebater sua sugestão te perguntando onde caralhos eu vou guardar aquele trambolho num apartamento de 40m²? Aqui mal tem lugar pra colocar minhas roupas.

As soluções, ao meu ver, seriam:

- Contruir um mezanino. Dobraria a área útil do apartamento, o que geraria mais espaço para guardar o trambolho climatizador, sem gerar prejuízos para o conforto dos usuários (1,58 m de altura, só pra lembrar).

- Me mudar de apartamento, para um que tenha o tal buraco para o ar condicionado.

- Esperar mais um mês, quando o calor já tiver passado e eu começar, então, a reclamar do frio polar e de como deveriam ter feito um sistema de aquecimento neste lugar.

Sexta-feira, Janeiro 20, 2012

Capítulo 137

Morar no último andar tem lá as suas vantagens. O barulho da rua é, teoricamente, menor do que nos andares mais baixos, você, que não tem um espelho decente em casa, sempre acaba tendo um tempinho sozinha no elevador pra checar o outfit completo e fazer uma limpeza de pele (quem nunca espremeu um cravo no elevador que atire a primeira pedra!!) e você ainda paga de rico por morar na cobertura (mesmo que o seu prédio NÃO tenha cobertura - meu caso)!

Uma desvantagem clara foi constatada por mim ontem, obviamente, na hora de maior necessidade. Estava vindo pro Rio comemorar meu aniversário com familiares e amigos queridos. Acordei na hora que pessoas normais de férias estão indo dormir (5 da manhã) pra ter tempo de me arrumar tranquilamente e ir ao aeroporto.

Cheguei no banheiro, liguei a luz e fui surpreendida por uma luz bruxuleante, espasmódica, fraca e extremamente assustadora. Achei que a lâmpada estava com mal contato, subi no vaso e cutuquei-a com o pente de plástico. Nenhum resultado. Me resignei a tomar banho numa luz macabra e liguei o chuveiro, que não ligou.

Merdaaaaa! Não é possível que a resistência tenha queimado pela segunda vez na mesma semana. Liguei os pontos e percebi: luz bruxuleante + chuveiro desligado = disjuntor caído. Fui na caixa de disjuntores e aparentemente estava tudo em ordem. Dessa vez eu me resignei a NÃO tomar banho, porque ninguém merece tomar banho frio às 5 da manhã nas madrugadas geladas de Campinas.

Chamei o taxi, terminei de me arrumar e levei minha mala pro corredor. Chamei o elevador e ele não veio. PUTAQUEPARÉU! Não é só minha casa que estava funcionando com uma fase só, era o prédio todo, quiçá, toda a rua. O elevador, que quaaase não consome energia, não funciona com uma fase só.

Olhei pra escada. Olhei pra mala. Olhei pra escada de novo. Olhei pro relógio. Olhei pra mala de novo. Olhei pra escada.

Tomeicoragemedesci12andaresdeescadacomumamalade14kilosnosbraços! E foi assim mesmo, de supetão, porque se eu pensasse duas vezes, remarcava a passagem de avião.

Cheguei no Rio, enfrentei uma hora de congestionamento e acordei hoje com uma dor no bíceps linda de morrer! Academia pra que?

Quinta-feira, Janeiro 05, 2012

Capítulo 136

Data: 04 de janeiro de 2011, quarta-feira.
Horário: Por volta de 14h15.
Local: Ponto de ônibus da Unicamp.
Situação: Esperando o ônibus de volta pra casa depois de bater com a cara na porta trancada do laboratório. Chega um tiozão de óculos "piloto de avião" da RayBan.

- Você já viu a Unicamp tão às moscas assim? (com um sorriso exageradamente largo no rosto).

Eu, que gosto de ser antipática com pessoas aleatórias na rua, também com meus óculos escuros, olho pro lado contrário ao que ele se encontra e respondo:

- Não. Sou nova aqui.

- Ah é? Você está fazendo o que?

- Mestrado.

- Em Educação? (estávamos no ponto de ônibus em frente à Escola de Educação. Mas apenas porque não existe um ponto de ônibus em frente a Faculdade de Engenharia Civil).

- Não. Em engenharia civil.

- Ah, sim. Eu vou processar a Unicamp por me negar o direito à livre expressão!!! (Oi?) Terminei meu doutorado em Educação no meio do ano passado e até agora eles não publicaram minha tese no site por causa da greve. Depois que eu sai no jornal da Unicamp por causa da minha tese, a BandNews, a Globonews e mais um monte de gente que descobriu meu e-mail sei lá como quer baixar a minha tese e eu não tenho como passar. (Jornal da Unicamp -> GloboNews, link direto).

- Põe num site desses de upload: 4shared, megaupload.

- É que no site da Unicamp tem um contador de downloads e eu quero controlar quantas pessoas já leram meu trabalho. (egocentrismo pouco é bobagem). Aí eles falam que tem um monte de tese antes da minha e que a minha está na fila. Passa a minha na frente, oras! (super justo, aliás)

Sorriso amarelo.

- Você não é daqui, né? Percebi o seu sotaque.

- Sou do RJ.

- Minha filha está morando lá. Passou num concurso.

- Ah, legal.

Neste momento comecei a divagar sobre o que faria pra jantar naquele dia, o que precisava comprar no supermercado, na pilha de roupa que tinha pra passar e sobre o que, afinal, eu ia escrever no meu blog e, quando dei por mim, ele perguntou.

- Você conhece o Campchopp?

- Oi?

- O Campchopp, você conhece?

- Não.

- É um barzinho muito legal que tem ali atrás do Jockey club. Está sempre cheio.

- Não conheço não. Qualquer dia eu passo lá pra ver como é.

- (Sorriso mega empolgado) Porque a gente não faz assim? Me dá o seu telefone (já tirando um bloquinho e uma caneta do bolso) e a gente combina (Oi? 2).

- Não acho uma boa ideia.

- Mas por que? (Ainda com o sorriso mega empolgado no rosto)

- Porque eu nem te conheço, pô! Nem sei seu nome nem nada assim.

- É Carlos! (persistindo no sorriso mega empolgado)

- Não faz diferença.

- Então a gente faz assim. Eu te doou o meu número!

- Não.

- .... Então minha tese de doutorado.. (chega logo ônibus, chega logo!!!)

Depois Ronaldo não entende porque eu sou antipática com pessoas avulsas.