Capítulo 95 - Entrando e saindo de uma fria

Hoje uma série de eventos trágicos e felizes ao mesmo tempo terminou por me colocarem e me tirarem de uma situação catastrófica.

Depois de quase um mês sem lavar roupa, consegui encher a máquina de lavar ontem só com roupas brancas e hoje só com roupas coloridas. Ignorando todo o bom senso adquirido em 5 anos morando sozinha, resolvi colocar a blusinha branca que eu usei hoje junto com as coloridas. Não vai acontecer nada de mais! Uhum, claro. Contrariando todas as (minhas) expectativas, a blusa saiu que nem uma zebra psicodélica e eu, numa tentativa desesperada de salvar minha peça de roupa, a mergulhei numa solução de sabão e a deixei lá por algumas horas.

Quando cheguei da minha corridinha de de vez em quando às 18h15, fui enxaguar a minha blusinha e descobri que a água, que havia acabado e tinha sido prometida pra antes, ainda não havia chegado. Não foi a primeira vez que acabou água aqui. Esse mês. Essa situação tá virando rotina já. Vou começar a armazenar água em baldes, garrafas, pneus velhos e vasos de planta pra não ficar sem nas horas de emergência.

O que transforma essa situação em mais uma epopeia é o fato de que eu teria aula de francês em 45 minutos em Icaraí. Da primeira vez que isso aconteceu eu contei com a ajuda da sempre presente amiga Andréa, que me emprestou a água do seu prédio para que eu não fosse suada e colenta pro francês. Inexplicavelmente, apesar dela morar a 500 metros de distância, não acaba a água no prédio dela. Aliás, nem nos vizinhos do lado acaba. É só aqui! Mas sim, hoje, irônicamente, Andréa começou seu curso de pós-graduação e não estaria em casa na hora que eu mais precisaria dela.

"Fodeu", penso eu, "Vou faltar aula". O que não seria grande coisa se eu não pagasse mais de 15 reais a hora na Aliança mais cara do Brasil.

Foi quando eu ouço barulho de água caindo. "Ué, minha irmã tá lavando roupa? Mas a gente tá sem água!". Vou à área de serviço e descubro que tinha deixado a torneira do tanque aberta (pra lavar a blusinha, lembram?) e estava jorrando água aos montes.

Fui correndo para o banheiro, esperançosa por tomar um banho delicioso e revigorante de chuveiro. Abro a torneira... NADA! Ó céus... abro todas as torneiras de casa e nada. A única que tinha água era a do tanque. Aparentemente o funcionário do prédio esqueceu de fechar o registro dessa coluna quando a água começou a subir para a caixa d'água (sim, porque eles fecham os registros pra que as pessoas não saiam desesperadamente armazenando água e a caixa continue vazia).

A única solução, então, foi tomar o bom e velho banho de balde. E quando essa decisão foi tomada já eram 10 pras 7. Consegui terminar essa empreitada às 7 e 5, sai com o cabelo totalmente encharcado mas consegui chegar com apenas 20 minutos de atraso. Ah, e no meio do caminho eu ainda ensinei ao porteiro a conversão de unidades de metro cúbico pra litros.

Comentários

Felipe disse…
"Raquel, estou aqui tentando calcular qual a vazão de água que precisamos que entre na caixa, mas o medidor marca em litros, e eu só gosto de usar o sistema internacional. Jamais conseguirei fazer esta conversão. Atenciosamente, porteiro."
Pois é, o seu porteiro se identifica como "porteiro", e diz Atenciosamente ao final de sua fala. (se identificando depois, claro)
(pelo menos na minha fantasia que justifica a sua explicação foi assim)

Juro, jamais quererei ser seu vizinho, ter que pegar o mesmo ônibus que você, viajar pro mesmo lugar ou qualquer coisa assim... se algo pode dar errado, definitivamente acontecerá com a Raquel e com quem estiver envolvido no processo do erro.
Ronaldo disse…
Como que nenhum gênio da tv não passou por aqui e quis transformar esse blog em uma série de tv? Com certeza seria bem melhor que A Turma do Didi ou a Zorra Total (desculpas pela comparação).

Bom, faz mister um breve comentário acerca do exposto pelo ilustríssimo colega acima. Todos conhecemos os sinistros que ocorrem na vida da pobre Raquel, porém, afirmo que eles de forma mistériosa cessam em minha presença e que nunca fui atingindo mediatamente ou imediatamente por eles. E gostaria de frisar que a vida ao lado desse pequeno ser é deveras prazerosa. (o que não significa que eu pegaria um avião no qual ela estivesse)...
Sem mais para o momento,
Um beijoo
Não sabia que a nossa aliança era a mais cara do Brasil, que sacanagem!
Michele Pupo disse…
Raquel! Se soubesse a propoganda que faço de seu blog, você me pagaria o dízimo! rs
Gosto muito do seu espaço, acompanho há bastante tempo e morro de rir com as situações descritas por você.
Talvez isso aconteça porque identifico-me com elas.
Fico comovida pelo fato de saber que não sou a única pessoa azarada da face da terra. rsrs
Desculpe pela ausência de comentários. Gostaria de poder deixar sempre uma palavra, mas as vezes a correria da vida impede-me. No entanto, saiba que leio todas as postagens e adoro. Tanto é que está na lista "acompanho e recomendo" e dediquei dois posts para falar de vc! ;-) rs
Ah, meus alunos de 7a série também passam por aqui... Não vá dar mal exemplo. rs

Bjs
Marcelo Arêas disse…
Hahahaha... ta realmente parecendo um sitcom de comédia americano, onde o protagonista só se ferra.
Me lembrou o Curb Your Enthusiasm!!
Carol disse…
Inacreditavelmente, eu NUNCA estou no pensionato quando falta água. NUNCA.

Nem nunca tive problemas em lavar coloridas com brancas... de vez em quando eu esqueço alguma, mas nunca deu problemas.

Outra coisa, vc já se acostumou com a nova ortografia? antes de mim! "epopeia"!

bjs
Celso Aímola disse…
RAQUEL,

Realmente, adorei seu blog e sua epopéia. Honestamente, fiquei com dó de tudo o que te acontece, mas como tenho espírito zombeteiro, estarei aqui sempre pra "ver" suas novas aventuras...

Ganhou um fã!

Só não contou: SALVOU A BLUSINHA BRANCA???

Beijocas

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