Capítulo 118 - A chave

Eu sou do tipo de mulher que prefere levar todo o material na mochila do que levar a carteira e o estojo na bolsa e o resto na mão. Vamos ser sinceros e práticos: isso não funciona. Você fica lá toda bonitinha, mas com uma das mãos ocupadas e tendo dificuldade pra tudo enquanto se locomove. Além do que minha mãe sempre me disse que era pra andar com as mãos desocupadas para o caso de eu tropeçar e cair e ter como me apoiar (o que ocorria/e frequentemente).

A bosta disso tudo é que eu ainda não tive uma mochila que tivesse um lugar que prende as chaves como a maioria das minhas bolsas tem. Como eu sou uma pessoa super organizada, toda vez que eu chego em casa tenho que ficar que nem uma louca procurando minhas chaves na mochila, muitas vezes tendo que despejar tudo no corredor, expondo minhas intimidades para os vizinhos. 

Mas ruim mesmo foi a vez que eu NÃO encontrei  minhas chaves. E claro que tinha que ser na semana que minha irmã estava viajando e no dia que eu chegava mais tarde em casa (às 21h30), depois de ir na faculdade, no trabalho e no Krav Magá. Ou seja, além de não ter minhas chaves, eu ainda não fazia a menor ideia de onde as havia esquecido.

A primeira providência que eu tomei foi entrar em pânico. A segunda foi perguntar para o porteiro se ele tinha o telefone de algum chaveiro. Foi nessa hora que eu confirmei todas as minhas suspeitas de aquele homem na verdade é uma anta (quem já foi ao meu prédio sabe muito bem que não é implicância minha). 

Depois de perceber que ele não tinha sacado ainda que sem chaves eu dormiria na rua, eu comecei loucamente a abordar os vizinhos que chegavam no prédio. Incrível como eu me senti uma pedinte na rua. Ninguém se mobilizava pra me ajudar. Você chega até a repensar seus conceitos e atos quando passa por uma coisa dessas. 

Até que um vizinho se sensibilizou com a minha situação e disse que iria lá em cima pegar o telefone do chaveiro que ele tinha pra me dar. Quinze minutos depois, ele ainda não tinha voltado e eu supus que ele havia esquecido, ou então simplesmente me dado uma volta. Resolvi ir pra rua pra procurar algum chaveiro ali por perto.

Fui na mercearia:

- O senhor sabe do chaveiro que tinha aqui perto?

- Ah, o da esquina? Ele já foi pra casa, mas fiquei sabendo que tem um ali perto da padaria.

Na padaria:

- O chaveiro? É, ele trabalha aqui do lado, mas acho que ele já foi embora. Tem um ali perto do Bradesco.

Perto do Bradesco (e longe da minha casa), eu finalmente consegui falar com um chaveiro.

- É a rua tal, número tal?

- É

- Seu vizinho ligou pra mim, eu já estava indo.

Ponto pra ele. Cara de tacho pra mim.

Obviamente, enquanto eu esperava o chaveiro se arrumar, começou a chover e eu não tinha sombrinha. Mas o senhorzinho super simpático me emprestou uma.

Ele chegou na minha casa, pegou uns pares de grampos retorcidos, arrombou minha fechadura, me cobrou 50 reais e foi embora. No dia seguinte eu descobri minhas chaves no laboratório da faculdade, em cima da mesa.

Eu recomendo a todos vocês leitores que tenham sempre o telefone de um chaveiro 24 horas no celular. Mas bom mesmo seria se as chaves de casa fossem que nem os telefones sem fio, com aquele alarme que fica soando enquanto você brinca de quente-frio tentando encontrar o maldito enfiado na almofada do sofá.

Comentários

Felipe disse…
Melhor que isso, eu tenho meus próprios grampos retorcidos na mochila, muito úteis para situações assim =)

Quanto à primeira parte, posso lhe fazer uma sugestão? Toma vergonha na cara, pega uma agulha, uma linha e um pedaço de qualquer coisa com uma argola na ponta, e costura isso dentro da mochila! Seus problemas acabam em minutos.
Unknown disse…
Eu já conheço essa história! hahahaha!!!! E também já conheço o seu porteiro!! Rs! E também já sofri em suas mãos! hahaha
Diogo Fujimoto disse…
Bem, me identifikei com seu relato

1º caso
eu e minha prima chegamos do restaurante as 11pm e a msm coisa, tentei tentei com a chave de fenda e nada, liguei pro chaveiro q meu porteiro demorou 1h pra axar o numero, e o cara ia me cobrar quase 90 reais pq ja era a noite
naum, sou mão de vaca, mas umas tentativas e eu abri a porta

2º caso
verão, eu andei por mais de 1h no centro da cidade nakele calor de 40 graus, eu só quero tomar um banho chego em kza e na hora q eu enfio a chave na porta o treco kebra! kralhooo a chave fica presa e naum gira pqp
desci subi, desci subi, caçei chaveiro e nada
até q num momento eu lembrei que tinha uma chave extra na pri, q eu deixei la pra emergencias
o/

como eu moro sozinho, deixo uma chave extra na casa da pri que mora a um quarteirão da minha pessoa rs

fikdik
Bia disse…
Nossa chaveiro é dificil msm, uma vez a chave emperrou lá em casa. Pelo menos eu estava dentro de casa consegui abrir a porta mas teria que dormir com a porta aberta, então tive q procurar um chaveiro desesperadamente pq copacabana não é o lugar mais seguro do mundo. Pelo menos meu porteiro é esperto e tinha um número em mãos yey!! Mas tive q pagar 50 contos tb..facada por um grampinho rsrs
Carol Jardim disse…
Ahhh essa história eu já conhecia!

Você já refletiu sobre o fato de a sua mãe te ensinar a ficar com as mãos livres para o caso de você tropeçar e precisar se segurar? Porque a minha mãe nunca me ensinou isso. Acho que você cai demais!

=B
Cler disse…
Seu porteiro anta é confiável para deixar uma cópia da sua chave com ele? uhauhauhauhauha
Ronaldo disse…
Sabe, gostaria de ser chaveiro, na verdade, quem não gostaria de ser capaz de abrir quase que magicamente cadeados e portas, apenas com dois arames e uns puxões brutos.
Além do mais, a profissão deve ser muito gratificante, por exemplo, vejam o meu caso. Certo dia, a chave do apartamento não conseguia girar mais, ou seja, não trancava. Após umas duas semanas dormindo de porta "aberta" resolvi chamar o profissional, pq ele sabe o que faz, como diz o funk.
Ao chegar, depositou sua mochila no chão e passou a inspecionar a fechadura, tirou uns araminhos, colocou-os na fechadura e fez alguns breves movimentos. Segundos mais tarde, estendeu a mão dizendo: Pronto, 50 reais.

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