Capítulo 122 - A mudança

Caros leitores, sexta-feira foi um dia especial para  mim. Mudei-me para Campinas. E claro que as coisas deram muito errado. Estou vivendo um período de extremo conflito interior, aliás, já não sei mais se é bom ou ruim ter tantas histórias para contar nesse blog. 

Ronaldo diz que eu sou chiliquenta e me desespero à toa. Mas sinceramente, se essas situações descritas a seguir não são o momento mais digno para me desesperar, então eu não sei mais o que poderia ser. 

Vamos começar pelo dia da minha inscrição na Unicamp. Além dos documentos básicos para se fazer qualquer coisa coisa nesse país, ainda me exigiram um Certificado de Conclusão de Curso, caso ainda não tivesse recebido o diploma. Acontece que esse Certificado de Conclusão de Curso só é dado a mim no momento da colação de grau, que será dia 21 de Março, então eu retirei na secretaria uma declaração dizendo que eu tinha concluído todos os créditos do meu curso e só faltava a cerimônia solene da colação de grau.

Entreguei os papéis para a secretária (que eu odeio desde já) e ela me disse que não podia aceitar essa declaração e que não poderia fazer a minha inscrição. E ainda diz na maior cara de pau "você pode tentar no semestre que vem" como se fosse a coisa mais normal do mundo perder a vaga num mestrado.

Aí foi a primeira crise de choro de muitas que ainda vinham. Um aluno de doutorado, comovido pelo meu estado lastimável, me disse que eu poderia ir na secretaria acadêmica e pegar uma declaração de que eles poderiam aceitar a minha declaração (adoro a burocracia brasileira).

Fui até lá e obtive a mesma resposta. Eles não poderiam aceitar a minha declaração porque "concluir os créditos do curso não é a mesma coisa que concluir o curso". Claro que não é! Pra você concluir o curso você precisa colar grau. Mas as pessoas preferem se fingir de burras e surdas do que ouvir o que eu estava dizendo.

Resumindo, depois de 3 horas e falar com QUATRO superiores, eu consegui que aceitassem a minha declaração.  

Como o post já está bem comprido, vou contar bem rapidamente os acontecimentos de sexta.

Compramos as passagens com a incrível antecedência de 12 horas antes do embarque. Nos perdemos em Bento Ribeiro e Santo Cristo a caminho do aeroporto (chilique). O primeiro aluguel tem que se pago em dinheiro, então saquei e divide em 3 partes. Arrumei minhas malas com pressa e acabei tendo meu canivete confiscado no aeroporto (mini-chilique) E, sim, eu ando com um canivete - nunca se sabe quando você vai precisar de uma chave de fenda, uma faca, uma tesoura, uma lixa e um abridor de garrafas.

Chegamos no aeroporto de Campinas e compramos as passagens da Caprioli (a nova 1001 da Raquel) para o centro da cidade. Oito reais para cada um. O ônibus saiu adiantado e o perdemos por questão de segundos (chilique) Tivemos que pegar um taxi. 50 reais. 

Percebi que tinha perdido a carteira e não tive dinheiro suficiente para pagar o aluguel, além de todos os meus documentos, cartões e talão de cheques (quase chilique). A moça da imobiliária falou doce e firmemente: não chora! e eu engoli o choro. Funcionou como um tapa na cara adiantado. Ronaldo tirou o restante do dinheiro. Pegamos as chaves. Achamos a minha carteira. Estava no taxi. O motorista esperou chegar de volta no aeroporto para nos avisar. Mais 50 reais pra devolver.

Entramos no apartamento. Fizemos uma faxina. Só tinha um colchão inflável de solteiro. Dormimos pessimamente. O colchão só vai ser entregue no dia primeiro. A Net só vai ser instalada no dia 28. Os vizinhos daqui não são tontos a ponto de deixar o Wi-fi sem senha e acordamos hoje sem saber que o horário de verão tinha terminado.

UFA!

Comentários

Michele Pupo disse…
Raquel

Sei muito como você se sentiu! Recentemente passei pelo mesmo problema burocrático da Universidade. A gente sente uma vontade grandiosa de agarrar todos pelo pescoço.

Boa sorte nesta sua nova fase!

Um abraço
Bia disse…
Nossa Raquel!!!!!!!!

Boa sorte amiga!! Vc está precisando rsrsrsrs

Vai dar tudo certo no final ;)

Vc mudou definitivamente para Campinas? =(
Carol Jardim disse…
1 - você tentou entrar com um canivete em um avião? oi?

2 - sim, a PUC tem essa mesma burocracia idiota e sim, eles se fingem de burros para não precisar pensar em casos específicos.

3 - você teve um chilique quando se perdeu entre duas cidades e um QUASE chilique quando perdeu todos os seus documentos e cartões! eu faria o contrário, já que eu estou acostumada a me perder, mas não sou nada sem a minha carteira.

4 - você pretendia contar para as suas amigas (entenda-se eu e andréa) que você estava se mudando para outro estado esse mês? ah tá, só para entender porque raios a gente não ficou sabendo a tempo de marcar um chopp, um petisco ou dar um tchau por mensagem no facebook!!
diogo fujimoto disse…
e ae já ta adaptada?
as condições de vida melhoraram?
rs

n importa aonde vc esteja lady murphy sempre estará ao seu lado rs

boa sorte ae
Felipe disse…
Chorei de rir, desculpa.
Não faltou um "Oi, estou indo embora!"?

Olha, outro dia eu fui na secretaria pedir UM CLIP DE PAPEL, mas não ganhei pq tinha que entregar um formulário de pedido de material. Burocracia é assim mesmo, relaxa.

Levou sua toalha? Podem confiscar seu canivete, podem sumir com a sua carteira, mas você não pode ficar sem a sua toalha, ela é seu utensílio mais precioso.

Beijos!
Cler disse…
Eu ri, desculpa! rs
Afinal, quem precisa de carteira, dinheiro, documento, ônibus pra viajar, vaga no mestrado... Isso tudo vc compra ali... rsrs

Boa sorte nessa nova empreitada!

=)

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