Senti ontem que o mundo estava hostil comigo. Acordei as 6, estava uma chuva do cacete e eu simplesmente não podia faltar a aula na faculdade (1 falta = B, 2 faltas = C, etc).
Sai de casa às 7, no melhor estilo londrinho, de bota, guarda-chuva e pullover. Uma rua antes do ponto de ônibus me passa um desgraçado correndo de carro na poça do meu lado e me ensopa IN TEI RA da cintura para baixo, acabando com todo o meu glamour, parando instantaneamente a música de época que tocava na minha cabeça e me fazendo gritar a plenos pulmões "FILHO DA PUTA!" antes do horário comercial.
Fui atravessar a rua para o ponto de ônibus. Rua pequena, o sinal de pedestres tinha começado a piscar o homenzinho vermelho, mas eu simplesmente não podia me dar ao luxo de dispensar o ônibus que passaria antes do sinal abrir novamente para mim (os ônibus aqui tem horário marcado e são respeitados). Dei aquela corridinha básica e, quando estava a precisamente um passo de estar com ambos os pés na calçada, o sinal abre e o motorista do carro parado naquela fileira simplesmente ACELERA passando a exatos 3 cm da minha bunda.
Neste instante eu já senti que não deveria ter saído de casa. Algo ia dar muito errado naquele dia, mas eu insisti e continuei minha jornada. "Tenho que ficar com A", pensava eu. Peguei o ônibus e me coloquei em pé, fazendo aquela sauna legal de dias de chuva e ônibus lotado. Quinze minutos depois, a senhora da minha frente saiu e eu consegui me sentar. Dez minutos depois, o motorista resolve frear bruscamente e todas as gotas de chuva que estavam em suspensão no teto do ônibus cairam. Adivinham onde? 10 pontos pra Grifinória! Em cima de mim, claro.
Desci do ônibus e comecei minha caminhada em direção ao laboratório. São aproximadamente 300 metros na horizontal e 50 na vertical (academia pra que?). Estava eu andando tranquilamente e cantarolando quando de repente.. TAN TAN!!! Uma ARANHA ENORME resolve sair do matinho e cruzar a calçada. Na hora eu congelei, no meio do passo, não consegui ir pra frente nem pra trás. Fiquei observando qual ia ser a próxima ação da aranha. Dois minutos depois, já estava crescendo até barba na aranha e eu resolvi que era hora de tomar uma providência. Dei 10 passos pra trás, de ré, atravessei a rua e segui meu caminho olhando por cima do ombro no mínimo 2 vezes por segundo.
Cheguei na sala com o coração batendo a 198 batimentos por minuto e tão branca que até o meu blush tinha sumido. Estava decidido: ia voltar pra casa e me abrigar. Algo de terrível ainda ia acontecer aquele dia.
Cheguei em casa, mas lembrei que meu plano não iria funcionar. Tinha uma aula pra dar ainda aquele dia. Cheguei atrasada na aula devido a um acidente na rua, completamente esbaforida. Ao final da aula, uma das minhas alunas me disse "Professora, eu achava que não ia ser capaz de aprender inglês. Mas quando te conheci, esse seu jeitinho carinhoso com a gente me fez querer ficar e aprender".
Realmente, acabou comigo.

8 comentários:
A pai méia da rede record tem medinho de aranha? Ah, vá.
Oooh, derreteu esse coraçãozinho que foi molhado, congelado e assustado! Foi?
Ah, essas crianças...sempre fazendo com que nós façamos aquilo que não estamos tão dispostos assim... e no final, fazemos porque queremos.
Uma beijoca!
Raquel
Não disfarça... Você finge ter este coração de pedra, mas no fundo é uma doçura! rs
Não foi tão ruim quanto parecia...Você já passou por situações piores! ;)
Beijos
Os onibuses daí têm buracos no teto?
Esses pestinhas sabem ser umas fofuras as vezes...
Mas só as vezes!
uhauhauhauhauha
uahauha compartilho do msm medo de aranhas e teria feito o msm!
sempre evito ficar próximo a ruas mais alagativas quando está chovendo muito, nem que pra isso eu tenha que fazer o caminho mais longo.
e
raquel chega do trabalho e sobe as escadas da academia, 300 x 50 pra que?
hahahaha
O munda estava hostil com você!!!
Bjs
Ohn... que gracinha.
esta dando aulas é? quem diria professora?
;)
bjs
Helena Portugal
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