Quinta-feira, Outubro 27, 2011

Capítulo 134


É incrível como em plenos 24 anos na cara, sofrendo antecipadamente com a crise do 1/4 de idade, eu tenha que passar por situações que passava na escola, na sexta-série. Ou melhor, a palavra que se enquadra mais corretamente não seria "incrível", mas sim "ridículo".

Pois bem, entrei num curso de espanhol no meio do ano. Fiz um mês de curso intensivo e em agosto já comecei o segundo nível. Estava muito contente com o resultado, pois em um mês tinha aprendido o suficiente pra tirar o "portunhol" do CV e inserir "espanhol básico". A turma do intensivo, composta por apenas 5 estudantes, era muito boa e extremamente esforçada. 

Eis que chego na primeira aula do nível 2 e assustadoramente encontro um grupo de umas 15 pessoas, majoritariamente feminino, falando em... português! "What the fuck is that?", penso eu cá com meus botões. Primeiro, como pode uma turma com tanta gente, se eles mesmo fazem propaganda que a quantidade de alunos por turma é limitada? 

Mas o que mais me emputeceu foi o fato de estar todo mundo conversando em português e nem era sobre o assunto da aula. A turma é uma bagunça e a professora não tem voz pra controlar as alunas. Resultado: no final da segunda aula, eu e um amigo proveniente do intensivo fomos reclamar com a professora, aliás, não estou pagando R$289,32 por mês pra falar português, muito menos pra fazer amigos.

A professora, talvez em questão de fidelidade as suas alunas mais antigas, falou in-off com as ditas cujas que eu tinha reclamado que elas falam muito português e isso poderia prejudicar o meu progresso. Na aula seguinte, ninguém mais respondia ao meu "Buenas noches" e todo mundo categoricamente fingia que eu não existia. Ok, penso eu, foda-se, não é como se elas acrescentassem alguma coisa na minha vida mesmo.

Com duas semanas de aula, a turma já estava dividida em duas: de um lado (ou melhor, fundo) as 5 pessoas que se interessam efetivamente em aprender espanhol; do outro (ou melhor, dos lados), as pessoas que vão pro curso pra fazer social. Até aí tudo bem. Estamos nosotros lá estudando, falando em espanhol e tentando entender a gramática super bem explicada tanto pelo livro, quanto pela professora. O problema foi que de repente as outras pessoas começaram a trocar bilhetinhos, cochichar e ficar rindo da nossa cara na aula. 

Peraí, como assim? Não era eu quem deveria estar rindo da cara de vocês que estão pagando caro pra fazer o que poderiam fazer no barzinho? Gentem, 290 reais por mês é muito chopp! 

Enfim, parei de tentar ser agradável e comecei a tentar ser o mais desagradável possível. Quem me conhece sabe que esse potencial é enormemente grandessíssíssíssíssímo, como diria o Chaves. Se isso não resolver, calma, ainda tem o Krav Magá.

9 comentários:

Larissa Rumiantzeff disse...

Menina...jah passei por isso. Bom, n tenho provas, mas os coreanos daquele curso de ingles em Victoria passaram a n me chamar pras festinhas deles. Porque eles soh gostavam de falar coreano entre si. Manda essas meninas tomaren en el culo ahahahah

Michele P. disse...

kkkkkk

Que mundo nós viemos parar, né Raquel?! PQP!

Luiz Fabiano disse...

Pra quem comenta e lê: sem falsa modéstia, sou parte da minoria esforçada hehe é algo triste mesmo, eu via esse tipo de comportamento quando estudava inglês, mas então a classe era composta por adolescentes.

No entanto, ver marmanjonas, algumas já balzaquianas, passando recadinho, cochichando e de "hihihi hohoho quaquaqua" faz a gente pensar como é fácil jogar dinheiro fora. Não só isso, preocupa também na falta de interesse que chega quase ao ponto do orgulho de ser ignorante.

Broco o quê? disse...

É neste tipo de comportamento que vemos como nascem CHEFES e SERVOS!

Ah, mas fala pra elas: CHUCHAMADRE que pelo menos a professora vai entender. Kkk

Fred disse...

É Raquel, as pessoas continuam a nos surpreender por baixo.. se eu fosse tu cambiaria de curso...
O escroto é que o seu "erro" foi ser honesta e sincera, n tem sentido eles ficarem de infantilice, tipo assim no minimo eles tinham que respeitar o seu direito de ficar puta, mesmo que continuassem falando portugues...

Suuu disse...

Cara, como eu já disse antes, eu não te conheço (seu blog foi indicação da Helena), mas eu me identifiquei muito agora.

Ameiii!

Pri disse...

suas férias te tiraram a inspiração para o blog ou vc tá reunindo diversas histórias engraçadas para nos contar? rs

Larissa Rumiantzeff disse...

Toh esperando o proximo post, senhorita!!!

Cler disse...

Raquel,

Voto (sempre) pelo uso do Krav Magá. Não dizem que a vida é um campo de batalha? uhauhauahuha

E use o chucha tu madre. It really works!