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Capítulo 239 - Vivíssima, graças a Deus

Eram pouco mais de seis da tarde quando Célia adentrou seu lar. No canto da única sala do pequeno apartamento, um singelo altar sustentava a imagem de Nossa Senhora Aparecida escavada em pedra-sabão e um rosário entalhado em madeira. Acima do altar, a imagem de Cristo crucificado; abaixo, uma almofada de veludo de cor azul turquesa, onde se ajoelhava todas as manhãs para agradecer ter acordado mais um dia e ainda ter vida. Apesar de Célia ter menos de sessenta anos e gozar de plena saúde, cumprira esse ritual religiosamente todos os dias. Após a morte repentina de seu esposo, Lúcio Heleno, de infarto aos quarenta e três anos, o ritual se intensificara. Agora ela agradecia de manhã e à noite, quando saía de casa e, também, quando retornava. Olhou para a santa, olhou para Cristo e agradeceu. Retirou os sapatos. Fechou todas as cortinas da sala e do quarto e se preparou para tomar banho. Tal qual o agradecimento às suas entidades, o ato de fechar as cortinas ao final do dia também se inst...