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Capítulo 232 - O envelhecimento e a finitude da vida

Eu sei que envelhecer é um processo natural e que, mais dia, menos, dia, chega para todos que insistem em continuar vivendo. Mas, mesmo com essa consciência, não deixa de ser um processo difícil. A capacidade de simplesmente ignorar o nosso próprio envelhecimento (ou amadurecimento) enquanto somos jovens é incrível. Logo, foi mais do que esperado por um espectador externo o susto que levei ao olhar no espelho e perceber, pela primeira vez, que a pele estava perdendo o viço e as bochechas começando a cair por sobre a boca e os fios brancos já não eram mais contáveis. Não vou dizer que me desesperei, mas, sim, que foi um gatilho para uma diversidade de reflexões sobre a vida. Perceber que estou envelhecendo foi ter a consciência incontestável da finitude da minha própria vida. Um dia eu vou acabar, não estarei mais aqui, pelo menos não com esse corpo e essas vivências. Eu já estou acabando, aos poucos. O tempo de experiências na Terra é finito.  Vamos, Raquel, acorda! Corre atrás do ...

Capítulo 231 - Férias, pero no mucho

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O último período na universidade foi um inferno. De verdade, mesmo, foi um dos piores períodos que eu vivi  na minha vida em termos de pressão no trabalho. E olha que eu conciliei emprego com doutorado de 2018 a 2021.  Voltamos às aulas presenciais ainda envoltos em bastantes incertezas quanto ao COVID. Ter que me reacostumar com a rotina de estar dentro de sala de aula, falando para 50 alunos de máscara, face shield e sem beber água foi um desafio. Outro foi o de conseguir ter tempo para realizar todas as atividades fora o trabalho (e também do próprio trabalho). Quando em aulas remotas, economizávamos muito tempo estando em casa. Entre uma aula e outra, dava para por a roupa para lavar, estender no varal, passar aquela vassoura, preparar uma comida e tirar um cochilo pós-almoço. Tendo que estar na universidade oito horas por dia, somando-se o tempo de deslocamento e preparação, sobrou muito pouco tempo para viver. E toda aquela crise existencial que já estava batendo na port...

Capítulo 229 - O fascínio pela falta de controle do tempo

Fim de semana passado eu assisti "O mapa das pequenas coisas perfeitas", um filme ao melhor estilo Sessão da Tarde, com aquela temática bem batida de anomalia temporal, onde um personagem vive o mesmo dia diversas vezes seguidas, enquanto para todos os outros seres humanos aquele dia é inédito e único. Sim, quase o mesmo enredo d'O Feitiço do Tempo, inclusive esse último filme é citado diversas vezes pelos personagens, como uma forma de fazer graça de si mesmo. Genial. A diferença é que, n'O mapa, existem dois personagens que estão presos nessa anomalia conscientemente. Claro que seriam uma menina e um menino brancos e que acaba rolando um romance entre eles, porque Hollywood parece que simplesmente NÃO CONSEGUE colocar um homem e uma mulher brancos e não fazer os dois tentarem se beijar no meio da trama (mas isso é assunto para outro post). E eu me peguei pensando sobre esse fascínio que eu tenho pela temática do tempo. Me sugere um filme que tem anomalia temporal no...

Capítulo 228 - Mais importante do que ter planos

Esses dias estava filosofando com um amigo a respeito do propósito da nossa existência. Eu, apesar de não ter nenhum apreço especial pela humanidade, sempre tive aqui dentro uma necessidade de deixar um legado. Ainda não entendi muito bem essa minha contradição e nem de onde vem essa vontade. Talvez nem seja realmente a necessidade de deixar um legado, mas de sentir que a minha vida tem um objetivo maior do que só simplesmente ser.  Todo esse questionamento veio do alinhamento de dois planetas: a finalização do doutorado e o término do semestre letivo. Vem o "ócio" (muito entre aspas, acho que seria mais "a ausência de compromissos urgentes") e aquela pergunta que até agora martela na minha cabeça: o que eu vou fazer com todas essas horas livres? Meu amigo respondeu simplesmente: "viver, Raquel", e caramba, então eu não estava vivendo antes? O que é viver? O que é existir?  Droga, voltei para o começo da discussão.  Só sei que Deus me livre de viver a vida...

Capítulo 227 - A tranquilidade e a inquietude

Em março de 2018, bateram 12 badaladas em um relógio interno que contava regressivamente o número de bolsas de doutorado que ainda me restavam até obter o meu título (ou perder o direito à bolsa). Me vi desesperada, pois eu não tinha sequer começado a escrever o artigo necessário para a defesa do doutorado, não tinha terminado o programa experimental da minha tese e muito menos feito as análises numéricas. Tinha acabado de passar num concurso para professora substituta na UFRJ, mas esse salário também tinha um relógio regressivo interno de  no máximo 24 meses. Em cima de tudo isso, já estavam fazendo concurso para professor efetivo das disciplinas que eu estava ministrando provisoriamente na UFRJ, ou seja, esses 24 meses poderiam ser 6 meses e acabou. Desse caldeirão de ansiedade só pôde sair uma coisa: síndrome do pânico. Eu, que já tinha passado (ainda passava) por depressão e ansiedade no doutorado , agora completava a tríade das doenças mentais em apenas um curso. Não podia col...

Capítulo 226 - Quando perdemos alguém que nos fez muito mal

At this height of the championship vocês já devem saber que eu vivi um relacionamento muito abusivo uns anos atrás (7 anos, em 2021). Essa relacionamento foi extremamente danoso para a minha saúde mental e a minha autoestima. Transformou uma mulher segura de si, em outra extremamente frágil, insegura, que acha que está sempre errada ou incomodando ou ambos, que duvida o tempo todo da sua capacidade e da sua sanidade. Passei quatro anos colocando os traumas para debaixo do tapete e fingindo que estava tudo bem por não ter a menor condição financeira de pagar uma terapia. Dois anos de terapia após eu conseguir um emprego, eu pude finalmente dizer que tinha superado o que aconteceu comigo. Sinceramente, eu não sei se existe uma maneira de superar ou se curar 100% de um relacionamento assim. As cicatrizes ficam mais da cor da pele, mas elas ainda continuam ali. Você não volta a ser quem era antes, eu acho que não tem como. Você vira outra pessoa e você tem que tentar fazer o melhor que con...

Capítulo 225 - A incapacidade de vestir a camisa

Eu, desde muito cedo, já apresentava uma certa dificuldade de me encaixar em alguns grupos. Não que eu fosse uma criança isolada; eu tinha muitos amigos. Mas eu não conseguia me empenhar em certas atividades como eles conseguiam, com tanta naturalidade. Eu nunca me senti motivada a fazer esportes coletivos no recreio, performar peças de teatro ou musicais, nem que fosse só entre amigos. Antes, eu achava que eu "só não gostava muito de esportes mesmo" ou que eu já tinha "nascido velha para dancinhas e teatro" (como se fossem coisa de criança). Com o tempo e a minha maturidade, eu abandonei qualquer resquício daquela competitividade infantil doentia e não conseguia sequer torcer para time de colégio, para o meu grupo na competição de pique-bandeira, nem me empenhar naquelas briguinhas bobas entre colégios de cidade pequena. Achava tudo um saco e sem propósito. Só conseguia torcer para o Brasil na copa da Fifa, pois era um evento mundial, mas também não ficava muito ch...

Capítulo 222 - Mudanças de perspectiva

Eu me mudei (de casa ou cidade) exaustivas 12 vezes durante os meus parcos 34 anos de vida. Eu sei que vocês estão morrendo de curiosidade, então lá vai: Macaé - Rio de Janeiro - Macaé (casa) - Macaé (apto) - Niterói - Campinas - Santa Bárbara d'Oeste - Americana - Rio de Janeiro - Niterói - Lavras (apto 1) - Lavras (apto 2). Sim, eu sei que você já fez a conta, isso dá uma mudança, em média, a cada 2,83 anos. Contudo, a gente que trabalha um pouquinho com estatística bem sabe que média não significa absolutamente nada. Para ilustrar este fato, jogo aqui na roda que as últimas 7 mudanças ocorreram nos últimos 10 anos.  Mudar muitas vezes me fez uma pessoa mais prática e menos desapegada com coisas e pessoas, porque você invariavelmente tem que fazer a sua vida toda caber dentro de um número limitado de caixas de papelão e simplesmente deixar para trás o lugar onde vivia. Quando eu me mudei de Americana para o Rio de Janeiro em 2015, eu percebi que eu ainda tinha coisas dentro da ca...

Capítulo 219 - Meu problema com a poesia

Não me interprete mal. Eu gosto de poesia. Eu queria conseguir escrever mais poeticamente, tocar as pessoas nos seus sentimentos mais profundos, descrever as ações como uma linda canção de Jobim, uma melodia que vai e volta, que sobe e desce e nos envolve na batida e na emoção. Queria conseguir fazer aquelas analogias fantásticas que fazem o leitor engolir seco ou verter uma lágrima e, lá no fundo, pensar que queria ser um pouco como eu, ter um pouco desse dom.  Só tem um problema com tudo isso: eu não gosto de rimar. Sei que a poesia não é só rima; sei que é métrica, que é cadência, que é beleza expressa em palavras. Mas como não domino nenhuma dessas artes, sinto que fica faltando alguma coisa nas minhas poesias que não rimam. E eu já sei o que falta: é a rima. Não me apedrejem, mas eu acho a rima muitas vezes cafona e, por vezes, infantil. Você precisa ter um domínio gigantesco do seu vocabulário para fazer uma rima inusitada e bela. Senão corre o risco de você rimar “ama...

Capítulo 211 - Não se preocupa, isso dá sorte

"Não se preocupa, isso dá sorte" também conhecida como "a famosa amenizada que todo mundo dá quando você faz ou acontece alguma cagada muito grande com você para que você não fique se sentindo um lixo".  Pisou no cocô de cachorro? Não se preocupa, é sorte. Passou o dia todo com a roupa do avesso? É sorte isso, miga. Uma amêndoa caiu na sua cabeça no ponto de ônibus? Relaxa, é sorte. Um pombo fez física 1, estudou a trajetória de dois corpos se movendo em velocidades distintas e conseguiu acertar o cocôzinho no seu braço enquanto você corria e ele voava? É sorte. Não, gente, não é sorte, não tem nada a ver com sorte. É azar. É uma azar da porra. Assim como é azar queimar a resistência do chuveiro no inverno em pleno domingo, como a pessoa da sua frente pedir a última bomba de chocolate, como ter feriado seguido de final de semana e o quinto dia útil do mês cair no dia 10 enquanto todas as suas contas estão em débito automático.  Nem ganhar na Mega ...

Capítulo 209 - O que é que eu vou fazer com essa tal superioridade

Em muitos momentos na minha vida, normalmente frente à incredulidade sobre o comportamento de outras pessoas comigo, fui aconselhada a "ser superior" à pessoa que havia me magoado ou irritado. Essas palavras sempre foram de difícil assimilação para mim. Nunca as engoli com facilidade.  A primeira coisa que me faz franzir a testa é essa mania de categorizar as pessoas em superiores e inferiores. "Quem age assim é inferior, quem responde assado é superior", ignorando completamente toda a vida e história da outra pessoa, que possivelmente a levou a agir daquela maneira. Encarar fatos isolados e julgar o caráter alheio com base nisso não me parece em nada com algo superior, só para começar. A segunda coisa é que esse conselho normalmente vinha acompanhado de outras sugestões piores como não responder às provocações e continuar sorrindo. Em resumo, "ser superior" significa agir como se nada tivesse acontecido para mostrar o quanto você não se abalou co...

Capítulo 208 - Essa Coisa Chamada Vida

A vida é um eterno sujar louça e lavar louça Perpétuo plantio e infinda colheita Árdua criação e contínuo plágio Dura carapaça e coração frágil A vida é um sem fim mar de expectativas Constantes encontros e despedidas Ondas de fraquezas e de culhões Poucos cumprimentos e infindáveis frustrações A vida é um aprendizado imperecível Incessante e progressivo Sofrimento sem medidas Essa coisa chamada a vida

Capítulo 206 - 15 Coisas que Aprendi em 2015

Já é dia 6 de dezembro e, não sei vocês, mas eu já declarei o ano findo. Muita coisa mudou na minha vida de 2014 para 2015 e, como mudanças vêm sempre acompanhadas de aprendizado, divido com vocês a minha lista: 15 coisas que aprendi em 2015 1 - Dá muito trabalho e é emocional e fisicamente exaustivo escrever um livro. Isso porque eu só cheguei na metade. Meta para 2016: terminá-lo. 2 - O Rio de Janeiro é atolado de opções de turismo gratuito. Aprendi também que eu gosto de fazer trilhas (Me convidem! Me convidem! Me convidem!) 3 - Depressão é uma parada que vem do nada e te acerta como se fosse um trem bala. Mas dá pra sair dela, sim, só que é muito mais fácil quando você tem do seu lado pessoas bacanas :) (e acompanhamento psicológico) 4 - É sempre bom ter pelo menos um terço do seu tanque cheio de gasolina quando você pretende cruzar a Ponte Rio-Niterói. 5 - Também é bom ter comida no seu carro de fácil armazenamento e acesso, como barrinhas de cereais ou bananinh...

Capítulo 193 - Lista de coisas a fazer

Pois é... Estamos aí vivenciando o final de mais um ano. E todo mês de Dezembro é mesma coisa. Aquele clima de cordialidade entre as pessoas, os mercados entupidos de panettones, as reportagens sobre o movimento no comércio, o sempre tão surpreendente Especial Roberto Carlos e o post de praxe da Raquel com aquele papo de que está ficando velha caquética. Estou. Quase 28 anos. E com a proximidade dos 30, vem também a proximidade da crise existencial que todo mundo já está mais do que careca de saber. Aquela sensação de que a vida está passando e a gente não está fazendo nada de produtivo, que sente sua juventude escorrendo pelos dedos e não há nada que você possa fazer para mudar isso e que, mais dia, menos dia, você vai piscar e estar com 70 anos. Não é? Não? Ok... nem eu. Então, inspirada pelos amigos blogueiros Fábio Brocovich e Paulo Velho , resolvi escrever também uma lista de coisas que eu quero fazer ao longo da vida. Não vou estipular nenhum prazo como o Fábio fez,...

Capítulo 179 - Visão geral do blog

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Há alguns anos atrás a minha amiga Carol Jardim me apresentou a possibilidade de permitir que o Blogger gere estatísticas a respeito de quem visita e lê o que você publica. Me empolguei. Vocês bem sabem que engenheiros são tarados por estatísticas . Era só marcar a janelinha dos "Termos e Condições de Uso", vender minha alma pro capiroto na terceira nota de rodapé em fonte Time News Roman 7 na página 12 e pronto! O Blogger iria gerar uns gráficos bonitinhos pra eu me divertir. Isso foi em 2007, quando o blog já tinha um ano de vida, mas só por agora mesmo que eu resolvi dar uma fuçada nisso mais a fundo e descobri algumas coisas curiosas. Visualizações de página por país Primeiramente: culpem o blogger pela péssima resolução e apresentação de todas as figuras que vocês encontrarão neste post. Segundamente, a respeito das visualizações de página por país, não poderia ser diferente: meu maior público é proveniente do Brasil, com mais de 12 mil visualizações. ...

Capítulo 171 - Adiantando a terceira idade

A idade chega de mansinho e a gente nem percebe. E pode revirar os olhos e balbuciar que isso é papo de velho, porque é mesmo! Porque eu estou ficando velha! Aliás, ninguém aqui está ficando mais novo com o passar do tempo, não! Momento descontrole. Retomando... Sempre que chega outubro, meu aniversário começa a bater na porta e a ficha de que mais um ano se passou começa a cair. Como faço aniversário logo em janeiro (dia 16 - comprem meus presentes aqui , aqui ou aqui ), pra mim, decoração natalina e chocottone no supermercado são quase um gatilho pra depressão. Olhando no espelho todos os dias é difícil reparar alguma diferença significativa. Você só percebe mesmo quando compara a sua imagem atual com aquelas fotos de início de faculdade, sem olheiras, com a pele viçosa, cabelo brilhoso e sorriso branco. Acho que vou processar a UFRJ por danos morais e usar o dinheiro todo em botox, clareamento dental e demais procedimentos estéticos. Outro indício claro, brilhante e, no...

Capítulo 166 - Quem não quer ser ajudado

Sou do tipo de pessoa que defende o silêncio como melhor resposta a uma ofensa vazia, argumento inválido, assuntos desinteressantes ou ideias por demais fora da realidade. Justamente por isso, quando nas CNTPs, passo 90% do tempo quieta. Isso, claro, até você me conhecer melhor. Depois de adquirido certo grau de intimidade, eu digo que sua ofensa é vazia, seu argumento é inválido, seu assunto é desinteressante e a sua ideia é por demais fora da realidade. Apesar dessa minha auto-descrição um tanto quanto crua (e cruel), sempre fui uma pessoa muito sensível ao que as pessoas me dizem, me magoo fácil. Logo, tento dizer o que creio que deve ser dito com um certo grau de cuidado, de forma a não ferir os outros. Dar a notícia devagar, com carinho, pois é justamente dessa maneira que eu gosto de ser tratada. Contudo, há certas situações em que esse lance de falar as coisas com inúmeros floreios se torna tão complicado e confuso que, mesmo tendo sido requisitada a minha opinião, é melhor...

Capítulo 151 - O que é amadurecer?

Sou eu que estou ficando velha e antiquada ou é o mundo que está ficando escroto? Tenho cada vez mais a impressão de que não me encaixo no ambiente em que vivo, sou desadaptada, e que as pessoas que me cercam não compreendem as condições mínimas de uma convivência sadia. Hoje, dizer algo legal pra alguém é raridade.  A maior parte das pessoas quer simplesmente ser vista e não querida, então vale fazer gracinha e brincar com o sentimento alheio. Outro dia estava conversando com um amigo que passa pela mesma situação. Parece que a palavra consideração e carinho sumiram do vocabulário de 98% das pessoas desse mundo. Elas pensam "eu vou viver a minha vida e foda-se se as pessoas que gostam de mim vão se magoar", confundem maturidade com descaso, com indelicadeza, e acham que a "obrigação" das pessoas maduras de passar por cima das coisas se aplica a receber grosseria na cara e continuar sorrindo. Esse ano está sendo de grande aprendizagem pra mim. Aprendi, por exe...

Capítulo 148 - Do contras

Sei que um dia eu repeti aqui no blog uma frase que meu sapientíssimo professor de Fundações  sempre  proferia  e era "a discordância é formidável e move o mundo", ou algo parecido. Hoje em dia, porém, eu faria a propaganda contra.  Não que eu não ache que trocar ideias, opiniões e pontos de vista esteja fora de moda e que não nos vai levar a lugar algum. Não é isso. É que hoje parece que AS PESSOAS são movidas à discordância e isso me fatiga. Faça o teste. Coloque uma frase levemente polêmica no seu facebook como, por exemplo, "Detesto quando uma velhinha carente vem conversar comigo na fila do banco" e espere 5 minutos. Você vai levar esporros tão homéricos e colossais, que vão deixar aqueles que você recebia da sua mãe no chinelo. Noventa  e cinco porcento dos comentários serão ao estilo de "pobrezinha da velhinha, não tem ninguém pra conversar com ela", "você deveria respeitar mais os idosos" e "quando você for idoso também ficará f...

Capítulo 135 - RJ x RMC

É um fato muito engraçado quando você se muda de estado. Ainda mais quando sai do Rio de Janeiro pra São Paulo, estados que se declaram inimigos mortais desde a época das capitanias hereditárias (mentira). Você vira uma espécie de agente infiltrado, informante especial, se sente num filme do Leonardo di Caprio, sem saber em quem confiar, alternando quais olhos fechar na hora de dormir e tendo arritmias toda vez que o telefone toca.  Absolutamente todo mundo de Campinas, de colegas da faculdade a atendentes de loja, me fez a mesma pergunta quando declarei ter vindo da cidade dita maravilhosa: mas o Rio é tão violento assim quanto passa na TV? E o mais engraçado é que, ao satisfazer a curiosidade alheia, acabei tendo momentos de pura e íntima reflexão. "Não. O Rio não é tão violento quanto passa na TV. É só você não sair depois das 21h00 sozinho, não ir pra tais bairros, não falar no celular na rua, não seguir o GPS porque ele te manda pro meio das favelas, não sentar ...