Capítulo 24 - A mudança na mudança
Uma fase que todas as pessoas que cresceram em Macaé e almejam uma vida menos pacata têm que passar é a mudança.
Macaé é uma cidade legal pra se morar quando pequeno. Lá tem praia, tem campo, na época não tinha muita violência.. Dava pra brincar de pique na rua, todo mundo se conhecia, estudava no mesmo colégio, etc. Quando atingimos a idade de 15 anos, Macaé começa a se tornar uma cidade chata, sem nada, monótona. Aos 16 anos, ela se torna insuportável; aos 17, com o advento do vestibular, inviável. Não que lá não tenha nenhuma faculdade. Tem sim. Ciências contábeis, administração, biologia. Isso sem contar as particulares.
Mas gente, essa é a única desculpa pra sair daquela cidade de merda. Não acabem com ela.
Sim, mas o assunto que eu queria abordar mais a fundo nesse texto não é a cidade em si, mas as pessoas que nela habitam. Não qualquer pessoa, mais precisamente as pessoas com quem eu conviví.
Estávamos eu e minha caríssima amiga Carol outro dia lá em casa, enchendo a cara e descendo a ripa nos antigos coleguinhas provenientes de Macaé.
Não, se você é de Macaé e está lendo isso, calma! Não falamos mal de você. Só das pessoas que não têm acesso a esse blog. =)
Pois bem, discutíamos bem precisamente como as pessoas de lá estão estagnadas no tempo. Você muda! Muda de casa, muda de cidade, muda o local de estudo, muda a rotina, conhece novas pessoas. E eles continuam com a mesma vidinha de sempre.
Não que eu esteja falando "Nossa, como eles são ridículos, criancinhas, etc.." Não é isso. Mas tente lembrar de como você era 3, 4 anos atrás. Suas preocupações eram diferentes, suas brincadeiras eram diferentes. Claro, aceitável, devido à sua idade, suas companhias. Mas experimente agora se imaginar convivendo com seus amigos daquela época, exatamente como eram e você como é agora... Simplesmente não dá.
As pessoas mudam, isso é fato, amadurecem. Vivem. Aprendem. Se você não muda de ambiente, não muda de rotina, vai demorar muito a amadurecer. Quando eu vejo as pessoas que estudaram comigo, conviveram comigo, vivendo da mesma forma que as pessoas que estavam no primeiro ano quando eu estava no terceiro, confesso, acho isso meio infantil. A cada dia que passa, torna-se cada vez mais difícil a compreensão, a conversa. Os assuntos cessam.
As vezes esse pensamento traz remorso; as vezes, nostalgia. Mas a maior parte do tempo, indignação.
Porque era bom ter aqueles amigos... Naquela época.
Comentários
mas continuando: falou e disse... alias falamos e dissemos... poucas e boas!
tambem estou profundamente grata pelo Castelo ser a unica faculdade de comunicação de Macae.. e convenhamos... eh o CASTELO!
enfim.. por isso que eu voltei a ser antisocial nessa cidade...
Não posso formar um comentário bom a respeito disso uma vez que nunca mudei de cidade, não tendo assim a oportunidade de me ausentar das pessoas com as quais eu convivo e ver como a mudança de comportamento as afeta.
Contudo, se isso acontecesse, eu acho que realmente seria estranhíssimo.
cara! as pessoas sao estranhas!!! o.O