Capítulo 71 - Aventuras em Arraial do Cabo

Eu e Rafael temos um dom pra nos meter em perrengue. Parece que o universo conspira pra dificultar as coisas pra gente sempre que nós pensamos em fazer algo diferente (Vide Capítulo 48).

Para variar o ambiente no carnaval, eu e Rafa saímos de Cabo Frio e demos uma passadinha em Arraial do Cabo para visitar os amigos de Macaé. A amiga Nah já havia avisado que o condomínio onde eles estavam, que ficava num bairro chamado Pontal do Atalaia, era longe e tinha dado 20 reais de taxi partindo do centro da cidade.

Eu e Rafael, com nosso espírito aventureiro (leia-se pão duro) partimos a pé do centro da cidade para economizar o máximo de dinheiro com taxi. Chegamos a um local com umas cancelas escrito "Pontal do Atalaia". Beleza! É aqui! Viu? 20 reais de taxi pra andar meia horinha? Eu não pago mesmo! Ok, vamos perguntar aonde fica o tal Condomínio Aldeia dos Anjos.

- Com licença, o senhor poderia me informar aonde fica o Condomínio Aldeia dos Anjos?
- O Aldeia? Iiiiiih, fica lá em cima! Só de taxi ou carona mesmo.

Não é possível, ele deve estar exagerando. Perguntamos ao porteiro que ficava cuidando das tais cancelas.

- Tá vendo aquele pontinho ali em cima?

Era um pontinho de luz láááá em cima que parecia estar flutuando, às 8 horas da noite.

- Então, é lá!

Merda! Eu que não vou subir essa estrada sem luz de noite, vamos chamar um taxi!

Depois de 30 minutos esperando, me chega um taxista extremamente mal humorado.

- São vocês que vão por Aldeia dos Anjos, né? Nossa! Peguei um congestionamento horrível pra vir pra cá (horrível assim mesmo: em negrito)! A cidade tá um inferno, tá tudo parado (parado também em negrito)!
- O senhor faz por quanto pra ir pra lá?
- É 30 reais.
- QUE ISSO!! TÁ MUITO CARO!
- É o preço pra ir pra lá.
- A minha amiga veio anteontem e pagou 20 reais!!!
- É, mas eu fiquei meia hora no congestionamento, queimei combustível pra cacete! Não tem como eu fazer por menos de 30 reais.

A minha vontade era de falar: "Problema seu se tava congestionado. São os ossos do ofício.". Mas percebendo que ele era o nosso único meio pra chegar ao nosso destino, calei a boca e resolvemos pagar os 30 reais mesmo.

Depois de uma noite agitada, acordamos todos com uma ressaquinha de leve e fomos para a praia. Andamos 30 minutos embaixo do sol pra chegar lá, tendo direito a uma descidinha suuuper divertida estilo trilha tropece-e-morra no final. Mas o problema dessa trilha foi a subida de volta aonde eu JURO que achei que ia desmaiar. Depois de andar os 30 minutos de volta para o condomínio, demos uma relaxada na piscina e percebemos que estava na hora de meter o pé, de ralar peito, de vazar, de ir embora. O que a gente menos queria era esperar escurecer pra pagar mais 30 reais roubadíssimos pra voltar pro centro de Arraial.

Foi nos apresentado pelos amigos um restaurante ali do lado, que levava a uma trilha de volta pro centro, onde o prato executivo era 12 reais. Nesse prato havia a opção de escolher entre dois ítens da lista para virem acompanhados de arroz e salada. Os ítens eram: camarão, peixe, pirão, batata da casa (que no momento estava em falta), frango e purê de batatas.

Eu, como fã inveterada de frutos do mar, só pude escolher frango com purê de batatas. Rafael, querendo inovar, pede frango com camarão.

Pedidos anotados, o garçon nos alerta: "Chegou um grupo de 10 pessoas aqui antes de vocês então a comida pode demorar um pouquiiinho pra sair, tá? Enquanto isso, apreciem a vista".

O prolongamento do "i" no pouquinho já era um aviso de que demoraria mais do que a gente esperava. Mesmo assim, convertidas as unidades de tempo de "Minutos Cabistas" para "Minutos Reais" imaginávamos uma espera de 30 minutos. E a vista era mesmo bonita, então eu tirei algumas fotos e nós conversamos bastante.

Passaram 10, 20, 30 minutos...

Passados 40 minutos, eu, que não estava com fome, comecei a sentir meu estômago reclamar. Um aperitivo por conta da casa veio bem a calhar. Devorei os pãezinhos com pasta de alho.

Passaram 50 minutos, 1 hora. Nesse momento, o garçon se aproxima e nos avisa: "Bom, agora a gente vai começar a fazer o prato de vocês, então vai demorar mais um pouquinho ainda".

PUTZ! Seria melhor que ele não tivesse avisado que eles nem tinham começado. Essa informação foi totalmente desnecessária.

1 hora e 1 minuto, 1 hora e 2 minutos, 1 hora e 3 minutos e aparece o cozinheiro na nossa mesa.

- Foram vocês que pediram frango, né? Pois é, é que a gente não tem mais frango.

Aaaah, Região dos Lagos...

Comentários

Unknown disse…
Por isso que sou burgues e vou pra condominio de luxo com Porsche na garagem. Nao entro em contato com gente pobre, nao subo ladeira e nao me estresso com almoço!

Preconceito não, opinião formada!
Felipe disse…
Hahahahahahahaha
Do jeito que você conta, parece que o pior da história toda foi não ter frango no restaurante.

Enfim - vê se aprende a se mover o mínimo possível daqui pra frente - é muito mais difícil se meter em uma fria dentro de casa.


Ah sim - se fosse eu com o taxi, dizia: "Ah, então não quero não, pode ir."
Me sentava no chão, esperava uns 20 minutos, ligava para a mesma empresa, pedia um taxi e torcia para ser o mesmo motorista. Quando ele aparecesse, tendo gastado mais uma fortuna de gasolina pra ir embora e voltar, eu perguntava: "Já tá pronto pra aceitar 20 reais? Tenho a noite toda pra ficar nessa brincadeira."
Anônimo disse…
Por essas e outras que eu prefiro ficar em São Gonçalo no carnaval...(o tédio também adora ficar aqui...).. hehe...
Natália Valli disse…
kkkkkkkkkkkkkkk!!!!!!!!!
Só rindo!!!
Então...nem era assim tãããããão isolado! hahaha...eu vou te mandar uma foto que eu tirei do passeio de barco que mostra o condomínio lá na pqp! hahaha e outra dessa trilha muito perigosa...aliás, a Michelle caiu numa dessas trilhas ¬¬
E ah! Aquele restaurante demora mesmo, e confunde os pratos também!
Mas, enfim...estou em casa\o/
Anônimo disse…
Realmente vocês são azarados, mas parece que pelo menos tiveram companhia no carnaval.

Já contei do dia em que nós demoramos 6 horas para receber a nossa comida no Albatroz? Pois é, e só a manguaça pra não tirar a gente do restaurante (a gente vírgula, porque eu tinha uns 6 anos e não tinha poder de veto). É que o cozinheiro tinha acabado de se demitir e a os garçons só paparicavam a Cássia Eller, que estava lá também.
Anônimo disse…
"Eu e Rafael temos um dom pra nos meter em perrengue."

Retificando: A Raquel tem um dom de meter o Rafael em perrengue...(Vide Capítulo 48).

Engraçado como conseguimos, assim como em Paraty, transformar um passeio a um suposto paraiso tropical num verdadeiro drink no inferno.

Agora, a senhorita Raquel já sabe: Eu tenho muitas milhas a serem consumidas por ela em cursos de matematica e ciencia espacial! Muaahahaha Muahahahaha

hé.
Bia disse…
Raquel
Pq q vc nao faz um post com dicas sobre Londres??
Asiim nao so eu mas como outras pessoas podem ser beneficiadas!!
Massss se vc n quiser dividir suas dicas depois vc me passa por favor por depo, q ai fica guardadinho, no msn eu vou acabar perdendo tudo...

Morri de rir c esse seu post, foda né..
Vc ja esta na fase de rir tb ou ainda esta mto brava?rsrs

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