Capítulo 85 - O apagão de 2009
Quando no apagão de 1999, confesso que fiquei um pouco frustrada por estar dormindo e nem suspeitar do que havia acontecido. Cheguei no colégio no dia seguinte e estava aquele alvoroço, todo mundo comentando o quão bizarro tinha sido, o estado inteiro apagado, etc, enquanto eu estava lá no meu décimo sono.
Acho que uma das razões para eu não ter acordado foi que, provavelmente, não fazia o calor dos infernos que anda fazendo aqui pelo Rio de Janeiro essas semanas. Se fizesse, com certeza eu teria acordado 3 minutos após o desligamento do ar condicionado. Fato. Mas isso não vem ao caso.
Hoje o nosso belíssimo e super eficiente sistema de energia me deu uma oportunidade de me redimir! Sou uma pessoa mais realizada agora que posso bradar ao mundo que estou aproveitando (no gerúndio pois a luz ainda não voltou - dêem Vivas ao laptop e à internet 3G) o apagão de 2009 em toda a sua plenitude.
O apagão se deu quando eu estava no ônibus indo pra casa. Aqui no bairro ontem faltou luz umas 6 vezes num intervalo de menos de uma hora, então achei que tinha sido mais uma dessas baixas de energia e nem me preocupei, logo vai voltar. Cheguei na porta do meu edifício e me dei conta: "Puta que pariu! Moro no décimo andar!". Subi os 10 andares de escada, com a mesma disposição e animação que qualquer um teria depois de uma aula de Krav Magá super reconfortante num forno pré-aquecido à 180 graus durante 5 minutos.
Cheguei no meu andar, coloquei a chave na fechadura com o auxílio da luz do celular e preocupei-me em adiantar as coisas que não precisavam de energia, como lavar a louça e tomar banho (alguém anda tomando banho com o chuveiro ligado nessas semanas? Eu não.). Daí me veio à mente a segunda merda do apagão, enquanto os vizinhos gritavam "AMPLA, EU PAGUEI MINHA CONTA!": eu havia programado para lavar todas as minhas roupas sujas essa noite, o que implica no fato de que amanhã eu vou ter que ir com alguma combinação bizarra de roupas que não estão sujas por não ter mais nada limpo pra usar.
Mas esse acontecimento não foi de todo ruim. Claro que não. Além da paz absoluta reinando nos arredores (depois da quase revolução da vizinhança com a Ampla, coitada, que dessa vez não tem culpa de nada), esse apagão encheu minha vida de romantismo. Tomei um romântico banho à luz de velas, comi um romântico jantar à luz de velas e, brevemente, passarei por um romântico estudo de física nuclear à luz de velas, já que amanhã eu tenho prova independente de haver ou não energia elétrica na América do Sul.
Comentários
Esperemos que o senhor controlador nacional do sistema elétrico aprenda a controlar o seu sistema, para não acabar com o estoque de velas (e paciência) de todo mundo.
Merda, falta muita matéria e não fiz a prova antiga - não vou deixar pra véspera, vou tentar ver tudo na antevéspera - estudo com o laercio na quarta de manhã e ainda dá pra tirar um cochilo de uma horinha quando chegar em casa antes de revisar.
5 minutos após uma caneca de café - Apagão - beleza.
Vou ler os pdfs no computador, só marcando o texto mesmo, sem prestar tanta atençao, pra depois(quarta!) copiar tudo pro resumo.
Bateria descalibrada - computador desliga com 20% - e como dizia a piada - Só Jesus Salva!
\o/
Adorei esse apagao também!
Não lembro de nada dos outros!
Mas fiquei impressionada raquel, vc nem reclamou!!Assim não dah, eu venho aqui ler o murphy fazer pouco de vc e vc fica ai rindo que subiu 10 andares de escada??
Aquela anonima que vai ficar feliz c esse post!
To brincando viu??? hihihi
Po mas falaram q foi mó merda eu nao queria ta ai não c esse calor infernal sem nem ventilador!
Muito bom a Física Nuclear a luz de velas.
Bom, eu não tive o desprazer de ter que estudar, mas não consegui voltar pra casa. Tive que sair do metrô na praça onze enquanto a multidão queria o dinheiro de volta e andar até a presidente vargas (eu só achei a passarela porque havia cem pessoas na minha frente que eu supunha não estarem se suicidando) e fui me abrigar na casa da Rachel, pois já eram 11h da noite e eu não queria inventar métodos revolucionários de voltar pra casa sem metrô e sem semáforos, já que a opção que eu tinha era o 629 passando pelo jacarèzinho.
Chegando na casa dela, sem interfone ou telefone funcionando, esperei até ela ter a idéia de ver se eu estava lá em baixo, e deu tudo certo.