Capítulo 105 - Quase explodindo
Boa noite, meus queridos psicólogos de plantão. Esse post vai ser sobre o(s) motivo(s) de minha ausência de quase um mês aqui no meu tão adorado espaço de compartilhamento e também de constantes crises de choro com duração de horas que eu tive nessas últimas semanas.
1 - A corrida que não é rápida o suficiente. Não importa o quanto eu treine. Existe uma certa limitação física que me impede de correr 2 Km em 10 minutos. Ainda não sei se são as pernas tortas ou o desvio de septo resultante de um cantil no nariz aos 7 anos de idade, só sei que estou tremendo nas bases de não conseguir passar no exame de faixa do Krav Magá.
2 - A não existência das férias. O calendário oficial da UFRJ dava até o dia 30 de Julho pras minhas notas estarem no sistema. Agora imaginem só, meus lindos e adorados psicólogos, ainda mais vocês que são estudantes, que hoje, dia 2 de agosto eu tive a minha última aula do semestre, onde o professor passou um trabalho pro dia 16 de agosto. Imaginem ainda que esse mesmo professor deliberadamente faltou metade das aulas sem nenhum motivo aparente! Eu ainda tive o desprazer de ter mais uma disciplina com ele, cujo trabalho ele diz que vai passar amanhã de manhã pelo e-mail.
Imaginem ainda, pois não acabou o segundo ítem, meus queridos, que eu tenho um trabalho pra apresentar na quarta-feira e que o professor desta disciplina começou TODAS as aulas com, no mínimo 40 minutos de atraso e RECUSOU a proposta de aulas extras por parte dos alunos desesperados porque disse que conseguiria cumprir o prazo. Conseguir, ele até tinha conseguido, mas passando um trabalho monstro pros alunos fazerem em 3 dias é fácil. Quero ver fazer direito, porra!
Resultando disso tudo, as 2 semanas que eu teria de "férias" (pois agora estou estagiando), serão pipocadas de trabalhos.
3 - O projeto final inexistente. Preparem-se que essa história é longa.
Meu projeto final trata-se do estudo da anisotropia na estabilidade de um talude, ou seja, a variação da resistência da encosta variando a direção dos planos de fraqueza (foi o máximo que eu consegui simplificar). Pra fazer essa análise, preciso ensaiar o solo da tal encosta. Pra ensaiar o solo, eu preciso tirar amostras do solo. Isso poderia ter sido feito tirando um bloco de 30 x 30 x 30 cm do solo em questão e moldando-o no laboratório no formato que cabe na máquina de cisalhamento. Mas meu professor teve a ideia retirar as amostras da encosta já no formato a serem ensaiadas, pois seria mais rápido. Só que aí entra a pegadinha! Não existem amostradores no laboratório com as dimensões da máquina, ou seja, os amostradores teriam que ser feitos.
No dia seguinte, fui ao laboratório, paquímetro em punhos, tirei as medidas necessárias para fazer os amostradores. Entreguei ao Professor A.
"Raquel, vai lá no torneiro mecânico da Coppe e pergunta que aço que tem que ser".
Ok. Raquel foi ao torneiro mecânico, pegou o tipo de aço, a folga necessária no comprimento, o nome e o telefone da loja e entregou para o Professor A, que respondeu:
"Agora liga lá e vê quanto fica."
Raquel liga pra loja e descobre que eles não tem o diâmetro exato do aço, que nós teríamos que comprar e mandar usinar pra um diâmetro maior e isso demoraria IMENSOS 2 dias. Os professores A e B então começam a divagar sobre uma alternativa mais RÁPIDA e mais barata (sendo que quem pagaria seria um projeto da Coppe).
Essa divagação toda demorou umas 2 semanas, quando eu dei meu primeiro chilique e disse que não importava o preço, eu bancaria do meu bolso e que eu só queria que o projeto começasse logo! Nisso surgiu o Professor C dizendo que conseguiria o aço mais barato num ferro velho por onde ele passava eventualmente. Uma semana depois ele diz que achou um aço parecidíssimo com o que a gente necessita, porém que precisava levar o paquímetro pra confirmar as medidas antes de comprar. Duas semanas depois ele compra o aço e nós combinamos de levar para o torneiro mecânico. Porém, Professor C acha mais conveniente levar depois do final da copa do mundo, pra evitar enrolações.
Ok, duas semanas depois, vamos ao torneiro mecânico. Professor C, então, toma a iniciativa de fazer um agradinho ao torneiro mecânico pra que ele fizesse nossos amostradores com maior carinho e oferece uma serra pra cortar o aço. Disse ainda que nesse mesmo dia iria numa loja de ferramentas do lado de sua residência e que no dia seguinte já levaria pra ele. Isso foi numa segunda-feira.
Na quarta-feira da semana SEGUINTE eu fui conversar com o Professor C a respeito dos amostradores ele me disse com a maior tranquilidade:
"Ah, eu não achei na loja do lado da minha casa. Você pode ver lá no centro? Tem uma loja do lado do seu estágio que com certeza tem."
Pego o endereço. Não tem lá. Vou em outras 3 lojas. Nada. Chego na faculdade com os nervos à flor da pele, depois de andar o centro todo atrás de uma serra que, de tão longe do meu projeto final, eu nem lembro mais o motivo de EU estar correndo atrás dela e digo ao professor B que não tinha achado a serra, que não era do meu escopo correr atrás de uma serra que o Professor C prometeu para o torneiro mecânico.
Levo um esporro do Professor B, que diz que se "nós vivêssemos num mundo ideal isso não seria meu escopo. Porém, como não vivemos, isso acaba se tornando minha obrigação.." etc etc etc. Cara, sinceramente, ele realmente queria que eu me sentisse culpada por estar me sentindo explorada por ter que correr atrás de uma serra que o outro cara prometeu pro torneiro mecânico? É simples demais fazer caridade e ser legal usando o tempo dos outros, né. Simples demais.
Daí minha revolta, minhas crises de choro e minha ausência. Uma solução super rápida essa que resolveram adotar. Estamos em AGOSTO e eu não tenho nem os amostradores pra pegar amostras do solo pro meu projeto final. Tanto pra A, B ou C, não faz diferença nenhuma que eu esteja lá no ano que vem fazendo essa droga. Aliás, eles vão estar lá mesmo, né. Agora eu, pretendo estar bem longe de lá em 2011.
Comentários
O Objetivo do projeto final é testar seus limites, ver aonde o seu físico e o seu emocional aguenta, se vc passar por isso eles vão pensar: pronto agora a gnt pode deixar ela ir.
Como eu ainda estou no principio do meu projeto, tentando correr ao máximo pra apresentar em dezembro, visto q a minha previsão de formatura é em julho. Não há muito o que t dizer, só que assim como outros o seu caso só me faz correr mais.
bjs
Que se torne uma lembraça bem rápido de preferência!
Beijoos!
Espere e verá: "Peça feita sob medida pelo professor B com a ajuda do professor A para tal máquina."
2 - Por isso que eu escolhi monografia e não projeto. =)
3 - Boa sorte!
deixe-me tentar dar dois conselhos de quem já passou por isso e ainda passa:
1. tente reverter essas indas e vindas a seu favor; tente conversar com eles sobre os amostradores, pergunte se não é melhor fazer um bloco de amostra (daí vc terá mais tempo para fazer os amostradores q,de qq jeito, vc irá precisar)e, se possível, tente parecer que todas as idéias são deles...
2. Da próxima vez,faça numérica ou pegue um projeto com quem tem $$ e já esta encaminhad, mesmo sendo um professor meio chato.
Acima de tudo, isso passa! E vc vai se lembrar rindo.
bjão
mande notícias
Helena Portugal
Falando sério... Você vai encontrar um jeitinho de coseguir terminar tudo bem! No fim das contas, todo mundo acaba conseguindo. Concordo com o Ronaldo quando ele diz que você vai rir de tudo (mesmo que seja de nervoso... uhauhauhauha)
Força, menina! ;)
Já passei por isso e sei o quanto é frustrante, estressante e todos os "antes" que você imaginar.Mas, isso passa! Pode apostar. E como já disse alguém aqui, só restarão as lembranças (e você irá até rir delas...).
UM ABRAÇO E FORÇA PARA VC!
Raquel, o seu sofrimento não é solitário. O seu caso pode ser único, mas muitos já sofreram, sofrem e sofrerão com os mesmos A B e C, e muitos outros símbolos. Isso alivia alguma coisa? Não, mas é uma maneira de dizer "estamos com você, se outros conseguiram você também consegue".
Além disso, como homem, eu sempre me coço a dar soluções ao invés de só ouvir, então lá vai: começa a fazer a revisão bibliográfica, isso é um porre e toma um tempo absurdo. Aproveita pra esclarecer qual a sua intenção, se é formar esse ano ou no próximo, porque a coisa muda de figura dependendo da pretensão...