Capítulo 170 - Herança da Sra. Linhares
Já que estamos falando de família e como no post passado mencionei meu amado pai, neste post vou falar a respeito do que herdei da minha amada mãe. E já vou logo avisando que vou decepcionar vocês, pois além da indisfarçável semelhança física, não fiquei com nada genético da minha querida progenitora (se é que personalidade é algo genético). Ok, talvez uma certa propensão a cometer gafes e falar mais do que deveria em certas ocasiões.
É impressionante isso. Tenho a personalidade igualzinha a do meu pai e a gente se entende e ri juntos hoje na mesma proporção que a gente discutiu na minha adolescência. Sabe o que dizem a respeito de duas pessoas iguais não se darem bem pois uma evidencia no outro seus próprios defeitos? Isso.
Mas voltando à minha mãe, tudo o que eu tenho dela eu aprendi com ela. Claro, depois dela ter me dado o dom das gafes, o mínimo que ela poderia me ensinar era a rir de mim mesma, senão ninguém conseguiria conviver com tamanho portfólio embaraçoso. Alguns amigos na faculdade inclusive apelidaram uma vertente de gafe muito específica de "dar uma de Raquel", que é quando você fala mal de alguma coisa e percebe 0,2 segundos depois que há uma pessoa a menos de meio metro de você que se enquadra exatamente naquela descrição que você acabou de relatar. E eu ri com isso.
Aprendi também com a minha mãe um caráter muito prático da vida. E esse ensinamento não foi na base do carinho e da risada não, foi na base da voadora na cara, surra de corrente nas costas e joelhada no baço que a vida por vezes nos dá, principalmente quando você sai de casa e vai morar sozinha com 17 anos. Na Inglaterra.
Foi por um período muito curto de tempo mas já deu pra sentir o gostinho de como as coisas seriam dali pra frente. Acho que o fato de ter um Oceano Atlântico entre você e seus pais faz você perceber que eles NÃO VÃO conseguir resolver os seus problemas pra sempre e que você vai ter que se virar sozinho uma hora da sua vida. E não deu outra, menos de um ano depois de eu ter voltado dazeuropa eu já estava saindo da casa dos meus pais em Macaé pra morar em Niterói pra nunca mais voltar a morar com eles (e isso foi há quase 9 voltas completas da Terra ao redor do Sol).
Nesse tempo que eu passei em Niterói, eu ainda mantinha aquela sensação boa de segurança do "R$35,00 e 3 horas e eu estou de volta em casa onde tudo será resolvido". O ruim era quando o problema acontecia entre segunda e quinta-feira e eu não poderia simplesmente largar a faculdade e o meu futuro pra ir chorar no colo da mamãe. E foi aí que entrou todo o caráter prático da Sra Linhares que eu estou tentando falar há 3 parágrafos e não consigo por estar excepcionalmente desconcentrada hoje.
Obviamente, como todo adolescente, a primeira coisa que eu fazia quando tinha qualquer sorte de problema era ligar pra casa.
- Mãe, tô sem roupa limpa!
- Mãe, não tem nada pra comer.
- Mãe, acho que vou reprovar na matéria.
- Mãe, tô ficando doente.
E, contrariando todas as minhas expectativas de adolescente classe média criada a leite com pêra e ovomaltino, eis que minha mãe respondia:
- Lava.
- Vai no supermercado.
- Estuda.
- Vai no médico, cacete.
Na época eu lembro que não entendia porque minha mãe me respondia tão diretamente quando eu claramente só queria um mimo.
ERA JUSTAMENTE POR ISSO!
Minha mãe foi me ensinando a cada resposta curta e óbvia que eu não gostei de ouvir que se você tem um problema, você tem que resolvê-lo com quem pode te ajudar a resolvê-lo. Não adianta ficar especulando, mirabolando, causando intriga, gastando energia, neurônio e proferindo palavrões a torto e a direito se você não for resolver o seu problema. Foi duro e doloroso aprender isso e tentar por em prática nos diversos campos da minha vida, mas pensando em retrocesso, acho que foi o ensinamento mais valioso que eu recebi da minha mãe.
Identifique a causa, pare de mimimi e resolva seu problema. Ponto final.
E tenham um bom dia.
Foi por um período muito curto de tempo mas já deu pra sentir o gostinho de como as coisas seriam dali pra frente. Acho que o fato de ter um Oceano Atlântico entre você e seus pais faz você perceber que eles NÃO VÃO conseguir resolver os seus problemas pra sempre e que você vai ter que se virar sozinho uma hora da sua vida. E não deu outra, menos de um ano depois de eu ter voltado dazeuropa eu já estava saindo da casa dos meus pais em Macaé pra morar em Niterói pra nunca mais voltar a morar com eles (e isso foi há quase 9 voltas completas da Terra ao redor do Sol).
Nesse tempo que eu passei em Niterói, eu ainda mantinha aquela sensação boa de segurança do "R$35,00 e 3 horas e eu estou de volta em casa onde tudo será resolvido". O ruim era quando o problema acontecia entre segunda e quinta-feira e eu não poderia simplesmente largar a faculdade e o meu futuro pra ir chorar no colo da mamãe. E foi aí que entrou todo o caráter prático da Sra Linhares que eu estou tentando falar há 3 parágrafos e não consigo por estar excepcionalmente desconcentrada hoje.
Obviamente, como todo adolescente, a primeira coisa que eu fazia quando tinha qualquer sorte de problema era ligar pra casa.
- Mãe, tô sem roupa limpa!
- Mãe, não tem nada pra comer.
- Mãe, acho que vou reprovar na matéria.
- Mãe, tô ficando doente.
E, contrariando todas as minhas expectativas de adolescente classe média criada a leite com pêra e ovomaltino, eis que minha mãe respondia:
- Lava.
- Vai no supermercado.
- Estuda.
- Vai no médico, cacete.
Na época eu lembro que não entendia porque minha mãe me respondia tão diretamente quando eu claramente só queria um mimo.
ERA JUSTAMENTE POR ISSO!
Minha mãe foi me ensinando a cada resposta curta e óbvia que eu não gostei de ouvir que se você tem um problema, você tem que resolvê-lo com quem pode te ajudar a resolvê-lo. Não adianta ficar especulando, mirabolando, causando intriga, gastando energia, neurônio e proferindo palavrões a torto e a direito se você não for resolver o seu problema. Foi duro e doloroso aprender isso e tentar por em prática nos diversos campos da minha vida, mas pensando em retrocesso, acho que foi o ensinamento mais valioso que eu recebi da minha mãe.
Identifique a causa, pare de mimimi e resolva seu problema. Ponto final.
E tenham um bom dia.
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