Capítulo 181 - A Balança de 2013
E mais um ano começa e pra todo lugar que se olha existe uma retrospectiva de 2013 e resoluções para 2014. Como eu sou altamente ligada nas tendências e não posso ficar de fora dessa bagunça, também vou relatar minhas experiências pessoais nesse período. Se você não quiser lê-las, feche agora essa aba do navegador e seja feliz.
Logo no começo do ano terminei o mestrado e resolvi me aventurar na vida docente. Aceitei assim de supetão a oportunidade de dar aulas numa faculdade particular, porque se parasse pra pensar 5 minutos iria desistir. Me enfiei na frente do computador e atrás dos livros e produzi material didático completo para duas disciplinas. Concomitantemente, resolvi me aventurar e fazer uma extensão em Investigações Geoambientais aos sábados com o Boça.
Dessas duas experiências, a conclusão a que cheguei é que talvez tenha passado da idade de ser aluna e tenha chegado à idade de ser professora. Não por me considerar extremamente competente e experiente aos meus parcos 27 anos para lecionar sem medo e constrangimentos eventuais, mas simplesmente porque minha paciência para conseguir ficar sentada numa cadeira ouvindo alguém falar a respeito do mesmo assunto por mais de 30 minutos fez as malas e me abandonou sem remorso há muito tempo. Ajudou também o fato de metade da maturidade ter dado as mãos para a paciência e saído saltitando e cantarolando enquanto esta última revirava os olhos e bufava, pois junto com os sintomas típicos de bicho carpinteiro eu ainda criei o péssimo hábito de bombardear o pobre coitado do meu lado com piadinhas infames e comentários ácidos durante toda a aula.
Como professora, eu descobri que alunos com bicho carpinteiro que não param de fazer piadinhas infames e comentários ácidos durante toda a aula são extremamente irritantes. Também descobri que ser professora é uma profissão que desperta os mais profundos sentimentos de realização e frustração pois não importa o quanto você se dedique e se preocupe com o futuro profissional e conhecimento que seus alunos vão adquirir, se eles não estiverem no mínimo igualmente interessados nisso, não há nada que você possa fazer para ajudá-los.
Outra experiência interessante e igualmente antíteseca foi o desolante desemprego seguido da admissão num concurso público. Pois se um dia (e todos os outros dos 4 meses anteriores) eu estava desempregada, sem renda e sem saber o que seria da minha vida na próxima semana, fazendo os Planos A, B, C, etc (quase cheguei no H), no seguinte eu estava empregada até cansar, morrer ou deliberadamente assassinar alguém no expediente, porque só assim pra ser exonerado hoje em dia.
Também vivi um sentimento de saudades do RJ que não havia aparecido nos 2 anos anteriores em que morei no interior do estado de SP. Descobri que apesar da malandragem do povo, das gírias inusitada utilizadas pelo elenco de Malhação, da violência nas ruas, do trânsito caótico e do calor que ultrapassou o infernal por 5 graus Celsius, o Rio de Janeiro ainda é um lugar mágico onde as mulheres têm voz e suas opiniões respeitadas. Ouvidas. A palavra certa é ouvidas. Aqui eles nem ouvem, quem dirá respeitar.
Senti saudades de conviver com pessoas mais verdadeiras consigo mesmas. Lá, se você não gosta de alguém, vira a cara no corredor, não fala "bom dia" e tá tudo resolvido. Fica declarado. Ninguém é socialmente obrigado a conviver, cumprimentar e distribuir sorrisos falsos pra gente que não gosta. E as pessoas são mais à vontade com o fato de que ninguém consegue agradar todo mundo e a vida é isso aí mesmo.
Junto com o sentimento de saudades do RJ eu entendi e vivi a essência da palavra "Provincianismo" e tomei pra mim como um xingamento. Se você acha que não é um xingamento então você provavelmente pergunta pras pessoas de que família elas são quando as conhece e acha no mínimo esquisito e sem sentido uma mulher sair da casa dos pais pra viver a sua vida mesmo não tendo mudado o status de relacionamento para "casada". Século XXI, galera, alo-ou?
Como vocês puderam perceber, 2013 foi um ano esquisitíssimo. Sim, essa é a palavra que descreve bem esse ano: esquisitíssimo. O ano terminou e eu ainda não consigo definir se ele foi bom ou ruim, se foi muito bom ou muito ruim, se foi espetacular ou uma desgraça, se foi o êxtase ou um cenário apocalíptico. Ainda estou meio atordoada com tudo o que me aconteceu e creio que daqui em diante, muitas coisas serão descendentes diretas de 2013. Essa conclusão de certa forma me enche de uma sensação de expectativa que só não é mais gigante do que a de enjoo dessa oscilação toda.
Cansei. Quero descanso em 2014.
Também vivi um sentimento de saudades do RJ que não havia aparecido nos 2 anos anteriores em que morei no interior do estado de SP. Descobri que apesar da malandragem do povo, das gírias inusitada utilizadas pelo elenco de Malhação, da violência nas ruas, do trânsito caótico e do calor que ultrapassou o infernal por 5 graus Celsius, o Rio de Janeiro ainda é um lugar mágico onde as mulheres têm voz e suas opiniões respeitadas. Ouvidas. A palavra certa é ouvidas. Aqui eles nem ouvem, quem dirá respeitar.
Senti saudades de conviver com pessoas mais verdadeiras consigo mesmas. Lá, se você não gosta de alguém, vira a cara no corredor, não fala "bom dia" e tá tudo resolvido. Fica declarado. Ninguém é socialmente obrigado a conviver, cumprimentar e distribuir sorrisos falsos pra gente que não gosta. E as pessoas são mais à vontade com o fato de que ninguém consegue agradar todo mundo e a vida é isso aí mesmo.
Junto com o sentimento de saudades do RJ eu entendi e vivi a essência da palavra "Provincianismo" e tomei pra mim como um xingamento. Se você acha que não é um xingamento então você provavelmente pergunta pras pessoas de que família elas são quando as conhece e acha no mínimo esquisito e sem sentido uma mulher sair da casa dos pais pra viver a sua vida mesmo não tendo mudado o status de relacionamento para "casada". Século XXI, galera, alo-ou?
Como vocês puderam perceber, 2013 foi um ano esquisitíssimo. Sim, essa é a palavra que descreve bem esse ano: esquisitíssimo. O ano terminou e eu ainda não consigo definir se ele foi bom ou ruim, se foi muito bom ou muito ruim, se foi espetacular ou uma desgraça, se foi o êxtase ou um cenário apocalíptico. Ainda estou meio atordoada com tudo o que me aconteceu e creio que daqui em diante, muitas coisas serão descendentes diretas de 2013. Essa conclusão de certa forma me enche de uma sensação de expectativa que só não é mais gigante do que a de enjoo dessa oscilação toda.
Cansei. Quero descanso em 2014.
Comentários
Estou conhecendo seu blog agora e, pra ser sincero, estou até com uma pontinha de inveja por você fazer isso tão bem. Mas parabéns.
Mas acho que você generalizou algumas coisa. Não, na verdade uma coisa. As mulheres são ouvidas sim aqui no interior de São Paulo. E são respeitadas. Não somos todos caipirões machistas como manda o esteriótipo. Assim como não são todos os cariocas malandros e sem vergonha. Sinceramente acho estranho este tipo de sentimento vir de uma pessoa que veio do Rio, um lugar onde o Funk coloca a mulher como simplesmente um objeto sexual.
Isso que você teve tem nome técnico. Em ciências sociais eles chamam de senso comum. É você postar suas experiências pessoais para generalizar um comportamento.
Entendo suas frustrações, e nem sempre é bom ficar longe de casa. Mas acredito que para não nos frustarmos temos de aprender a conviver com as diferenças.
Santa Bárbara d'Oeste também me frustou. Esperava mais desta cidade. E olha que eu sou daqui do lado. O emprego público também me mostrou coisas que achei que eram conto da carrocinha. Mas acho (e espero) que somos parte de uma geração que pode mudar isso, pois temos mais vontade de mudar, melhorar.
Que 2014 seja um ótimo ano para você.
Um ótimo 2014 pra você também! Não sei quem você é, mas gostaria de saber. Assine seus próximos comentários para mantermos um diálogo mais direto.
Concordo com o que você disse. Sim, eu generalizei e estereotipei um todo pela minha experiência pessoal. Não que isso seja o certo a se fazer, mas nesse caso foi o "mais prático" a se fazer, só pra demonstrar meus sentimentos mesmo. Seria inviável eu separar e descrever todos os tipos de pessoas que conheci e interagi nesse tempo.
A ideia que eu quis passar era que GRANDE PARTE das pessoas que conheci e convivi é exatamente assim: extremamente machista. Típico estereótipo de caipirão, que acha que a mulher tem que ficar quietinha em casa enquanto ele sai pra encher a cara no boteco e comer umas putas com os amigos.
Muitas dessas pessoas eu inclusive gosto muito (tento separar isso o máximo possível, senão confesso que não iam sobrar muitas pessoas ao meu redor), o problema é que elas não se ligam em como suas brincadeiras e comentários são ofensivos e como suas atitudes são retrógradas.
INFELIZMENTE, MESMO, essa é a visão que eu tenho dos homens e mulheres aqui de Americana/SBO. Obviamente, assim como em todos os lugares do mundo, existem pessoas diferentes e eu fico em êxtase quando as encontro. O problema é que o círculo social ao qual fui apresentada e no qual fui inserida é composto majoritariamente desse tipo de pessoa (acho que a estatística deve chegar em 90%).
Por isso a generalização.
Queria tanto ter tido outra impressão, que nem te conto... =/
Novamente, não estava fazendo uma análise social abrangente, apenas a do meu círculo social.
Estranhei muito sair de um estado e ir pro outro, sem migrar de classe social, sem alteração da escolaridade dos indivíduos, acesso à informação que eles têm e encontrar uma diferença TÃO GRITANTE!
Meus amigos do RJ tem a mesma condição financeira, viajam tanto quanto as pessoas daqui, leem o mesmo tanto, tem o mesmo nível de ensino e inclusive devem ver os mesmos programas de TV e filmes... mas de alguma forma os do RJ são muito mais abertos, mais "pra-frentex". Aqui parece que as coisas "são assim pq são assim desde sempre" e as pessoas se adaptam, acomodam com essa realidade.
Resumo: não estava analisando o povo do RJ e o povo de SP. Estava analisando os amigos do RJ e as pessoas que convivo em SP. A única diferença é a mentalidade mesmo...
Postura firme a sua. Admiro isso. Só acho que você corre o risco de parecer amargurada. A impressão que tenho é que você nunca será feliz fora do seu Estado, da sua cidade natal. Pelo que você descreveu é isso que você sente desde que saiu do Rio.
Não que você não tenha este direito. Longe de mim exigir que você goste da região. Isso é questão de gosto, vivência mesmo. Eu sou daqui, gosto daqui, mas sei que tem lugares piores e melhores lá fora. Da mesma forma que não entendo como um paulistano pode adorar viver na bagunça que é São Paulo.
Mas isso é questão de opinião, como disse. E não pense que estou tentando convencer você a gostar daqui. Isso seria muito egoismo da minha parte. Não estou dizendo que você é amargurada também, mas é a impressão que você está passando. Não te conheço direito. Talvez você seja mais aberta do que posso imaginar. Ou talvez você também nem ligue para que os outros pensem o que você é ou sobre o que você diz. O que também é uma atitude louvável. Demonstra personalidade.
Só queria que você entendesse que esteriótipos, apesar de comuns, não são legais. Aposto que você mesma, como carioca, não gosta do esteriótipo que se faz do pessoal do Rio aqui em São Paulo (os quais você já deve saber, não!?). Ou pelo menos não concorda. Na sociologia isto tem um nome: senso comum, onde você utiliza suas experiências pessoais para tirar conclusões sobre a situação.
Concordo com você que o machismo no interior de São Paulo é relevante. Mas acho que isso não é só nosso. Vai mais além, é uma característica da sociedade brasileira, pois como te disse, vejo da mesma forma o machismo no Rio, mas com roupagem diferente.
Conheço muita gente do Rio e tenho bons amigos lá. Mas confesso que me irrita o fato de os mesmos se colocarem como diferentes do resto da sociedade brasileira em alguns aspectos.
Mas como disse, admiro que você tenha esta coragem de expor o que pensa. Com sinceridade da minha parte. Não estou querendo fazer média com você. Acho que falta gente assim na nossa sociedade. Seria bom que mais pessoas fizessem isso. Só fique atenta que quando uma pessoa se propõe a fazer isso, fica exposta tanto a elogios quanto à críticas e insatisfações. E mesmo que generalizar seja a saída mais prática, nem sempre é a solução mais lógica.
Meu conselho, se quiser: conheça melhor o interior paulista e você verá que somos muito mais "pra frentex" do que você imagina.
Quanto ao anonimato, prefiro manter, pois quero evitar possíveis futuros constrangimentos. Espero que entenda
Sei que tendo um blog e expondo minhas opiniões eu fico sujeita à análise de pessoas que nem ao menos me conhecem. Isso não me incomoda nem um pouco, acho que só me engrandece. Muitas vezes já recebi críticas puramente destrutivas e odiosas, essas eu nem publico.
A sua opinião, ao contrário, gera um debate saudável e aberto sobre a situação. Eu, pessoalmente, acho que é nisso que as pessoas crescem e amadurecem, discordando e debatendo com respeito e argumentos fundados.
Respeito muito a sua opinião. Vendo de fora, realmente as pessoas podem achar que eu sou alguém amargurada. Confesso que uma das minhas características mais marcantes é o exagero, então quando é ruim é PÉSSIMO e quando é bom é ÓTIMO! As conotações e o vocabulário que eu uso só servem pra enfatizar isso.
Então, talvez, quem lê um post desses e não me conhece pode pensar que eu sou uma daquelas pessoas que vivem de cara amarrada para o mundo. Não é verdade. Eu sou uma pessoa até bem sorridente e vivo contando piadas pelos corredores rssss
Esse post foi um balanço do que eu vivi em 2013. Vivi coisas muito boas e acho que minha vida tomou um rumo nesse ano, mas esse lance do machismo e de bater de frente com todo mundo o tempo todo por causa disso me marcou e acho que eu extravasei um pouco por aqui.
Já disse lá em cima e repito: meu objetivo não foi fazer uma análise de todas as pessoas que habitam o interior de SP, apenas aquelas do meu convívio.
E ainda adiciono: Não sou carioca, sou Macaense. Já me mudei muito nessa vida e sempre me adapto aos novos locais. Essa foi a primeira vez que fui morar fora do estado do RJ e foi por opção. Me sentia um verdadeiro peixe fora d'água no Rio de Janeiro. A falta de educação, de carinho e consideração que as pessoas têm uma pela outra por lá me incomodava. De novo, minhas experiências.
Nem todos os cariocas são mal educados e folgados. Nem todos os paulistas são machistas.
Porém, do meu convívio, a maior parte dos cariocas que convivi, na hora que precisava passar por cima de você pra conseguir algum benefício, passava. E a maior parte dos paulistas que convivo, simplesmente não ouve as mulheres e acha que o normal é sair pra beber com os amigos todo dia e deixar a mulher em casa e, se ela reclamar, é pq todas elas reclamam o tempo todo e nunca estão satisfeitas.
Meu objetivo nunca foi fazer uma análise social e peço desculpas se o texto transpareceu isso ou se você por acaso se ofendeu. Queria mesmo ter citado nomes, mas a gente sabe que isso iria gerar um mal estar descomunal. Vejo tanta sujeira por aí que me incomoda ficar totalmente calada. Por vezes eu simplesmente PRECISO falar o que realmente penso senão parece que vou explodir.
Espero que tenha entendido minha posição.