Capítulo 187 - Os melhores piores momentos do Residencial Itália

Em Julho do ano passado, eu fui convocada para o meu cargo aqui em Santa Bárbara d'Oeste. Entre empacotar as coisas em Campinas, achar um apartamento pra alugar em Santa Bárbara e me mudar passou-se uma Era Geológica de 1 semana e meia. Dados a exuberante oferta de apartamentos em SBO e o imenso período que tive para escolher criteriosamente minha habitação, acabei no Residencial Itália - um condomínio de 13 blocos com 16 apartamentos em cada um, piscina, salão de festas, churrasqueira, quadra esportiva e pista de cooper, pela bagatela de R$750,00 de aluguel e R$250,00 de condomínio. Os carioca pira nos preços de aluguel do interior de São Paulo.


Ai, que fofo! Ai, que badalo! Ai, que tudo!

Olhando por fora, você se apaixona logo de cara pela arquitetura do local e, num momento de euforia tendendo à insanidade, você é até capaz de se esquecer que não existem elevadores nos prédios e alugar um apartamento no terceiro andar, para não ficar muito suscetível ao barulho da área comum. O apartamento de 45 m² parece um deslumbre se comparado ao de 35 m² que eu morava em Campinas sem vaga na garagem, onde pagava mais caro por um local cuja único diferencial era "porteiro 24 h". E um deles era o Seu Chico.

Na primeira semana de moradia, alguns problemas surgiram: aparentemente 70% das poucas tomadas do apartamento simplesmente não funcionavam, o que limitou bastante minha vida moderna.  Chamei o faz-tudo do prédio, o sempre prestativo Seu João, que me ajudou a consertar as tomadas, as luminárias, instalou as prateleiras da área de serviço, o espelho da sala e minhas cortinas, que até o momento eram retalhos de folhas sulfite da plotter. Ele me deu dignidade. Tamo junto, Seu João.

E minha vida estava resolvida: apartamento espaçoso,  aluguel barato, infra-estrutura, tudo funcionando.

Até o chuveiro pegar fogo.

E eu cair 2 vezes - seguidas - descendo a escada de ardósia de salto alto que se encontrava alagada pois a calha está desencaixada e despejando tudo nos corredores.

E todas minhas plantas morrerem por causa da bad vibe que ali reina.

E eu ser assediada na piscina por um bando de adolescentes no cio, que me aplaudiram e gritaram coisas como "Delícia".

E meu vizinho começar a adotar o hábito de não fechar a porta da frente quando faz calor, expondo suas intimidades.

E o mesmo vizinho utilizar a área comum do corredor para colocar seus chinelos, seus guarda-chuvas e seus tapetes pra secar.

E o mesmíssimo vizinho instituir o espaço das caixas de correio como o local oficial do carrinho de seu bebê.

E, adivinhem quem, colocar seu passarinho pra morar no corredor.

E os filhos e amigos dos filhos do dito enfiarem a cabeça pra dentro da janela da minha sala pra brincar com a Kiwi enquanto eu estava deitada no sofá de camisola.

E ele se mudar.

E eu me mudar.

Ufa.

Comentários

Paulo Velho disse…
parece uma vida interessante...

eu privilegio as comédias da vida privada do que a paz e a tranqüilidade.

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