Capítulo 210 - Díos mio!
Queridos amigos, estamos aqui reunidos hoje para dizer que Deus Murphy atendeu vossas preces. Aleluia, irmão? Aleluia! E que cascata de bençãos e unções! Um derradeiro derrame de glória do Senhor Murphy me arrebatou essa semana, em apenas um espaço curto de 48 horas.
Tudo começou no domingo, véspera da viagem. Ao olhar o extrato do meu cartão de crédito, observo uma compra a qual não reconheço para a empresa AVIANCA*6EFQPC994732(01/07) no valor de R$80,98. Sim, 7 parcelas de 80 reais no meu cartão de crédito numa compra que eu definitivamente não fiz. Ligo para a central do Santander e descubro que ou meu cartão foi clonado ou roubaram meus dados na internet (provavelmente no site da Gol, ao comprar a passagem para a viagem). Por procedimentos de segurança, me vi obrigada a cancelar meu cartão de crédito, débito e saque a poucas horas da minha viagem ao exterior, sem um puto no bolso.
Na segunda-feira, um dia de muita expectativa, ansiedade e um pouco de chuva, com as malas prontas, catiorríneo embalado para viagem, seguimos para o Hotel Canino Casa da Vovó Cris para deixar a encomenda aos cuidados da minha mãe e retirá-la cinco dias depois já com uma personalidade levemente modificada e brigando comigo porque eu não continuo com o fornecimento matinal de melão cortado em cubinhos. Porque esse é o nível de mimo que a Kiwi recebe na casa da minha mãe: melão cortado em cubinhos todos os dias no café da manhã.
Na segunda-feira, um dia de muita expectativa, ansiedade e um pouco de chuva, com as malas prontas, catiorríneo embalado para viagem, seguimos para o Hotel Canino Casa da Vovó Cris para deixar a encomenda aos cuidados da minha mãe e retirá-la cinco dias depois já com uma personalidade levemente modificada e brigando comigo porque eu não continuo com o fornecimento matinal de melão cortado em cubinhos. Porque esse é o nível de mimo que a Kiwi recebe na casa da minha mãe: melão cortado em cubinhos todos os dias no café da manhã.
Malas acondicionadas no porta-malas, cachorro na casinha de transporte e com cinto de segurança (vamos falar seriamente disso numa outra oportunidade), sorriso no rosto e um pequeno sentimento de que o universo me preparava algumas surpresas. E como não? Em apenas um quilômetro após sair de casa, parados no trânsito, percebemos que o querido Palio estava exalando um sex-appeal tão grande que um garboso Siena quis enchê-lo de beijinhos. Muito afobado e sem saber com exatidão como era esse lance de sedução entre carros, o Siena chegou com muita sede ao pote e adentrou o para-choque e o porta-malas do querido Palio, se auto-destruindo no processo em uma explosão de fumaça e água de radiador.
Telefones e documentos anotados, estampamos sorrisos levemente menos verdadeiros em nossas tesas faces e seguimos em direção ao nosso destino. Água, abraço de papai e mamãe, cappuccino da Kopenhagen, procedimento de portas, decolagem autorizada. Com uma nuvem negra literal e metaforicamente sobre nossas cabeças e a micro pista do Santos Dumont molhada, os prospectos não me pareciam nada favoráveis. Foi quando dez segundos após a decolagem, o avião perdeu altitude bruscamente e eu tive certeza absoluta durante o segundo mais longo da minha vida de que eu iria morrer. Pronto, ia ser assim o meu fim, senão pela queda do avião, então em decorrência das inúmeras infecções e protozoários que eu pegaria ao beber a água da Baía de Guanabara.
Sem compreender o que a certeza da morte significa na vida de uma pessoa, a companhia ao lado passou os restantes 50 minutos do voo tentando me fazer parar de chorar copiosamente, o que só aconteceu quando tocamos o solo de São Paulo.
Conexão, Free Shop, pão de queijo a preço de ouro, atraso monumental de quase uma hora, chegamos à Montevidéu moídos, às duas da manhã do dia seguinte. Quarenta minutos de van depois, nosso hotel nos recebe para uma sessão de banho relaxante e sono de qualidade para turistar no dia seguinte. Ou não, pois ao tentar realizar o check-in foi nos informado que houve um erro no agendamento da nossa estadia e que, na verdade, a nossa reserva era para o mês de Junho ao invés de Maio.
Quase cai no choro copiosamente de novo, só que dessa vez as lágrimas não seriam de pavor pela morte iminente, mas sim devido ao cansaço que ultrapassava a barreira do físico e já chegava no cerne da alma. Percebendo que se não agisse de forma rápida e certeira eu e Al iríamos desaparecer em desgosto em frente aos seus olhos, o atendente do hotel encontrou um quarto vazio para que pudéssemos descansar e resolver as coisas com calma no dia seguinte. Foda-se ligado no modo hard, subi ao quarto, tomei um banho e tirei um sono que mais se assemelhou a um breve período de coma, onde cinco horas da minha vida simplesmente não existiram na minha consciência.
No dia seguinte, arrumo-me para o dia de passeio e das duas opções de botas que havia levado, aquela gostosinha e confortável com sola de borracha e propícia para longas distâncias foi escolhida em detrimento da menos confortável pero mucho más chique de saltinho. Um pequeno problema para fechá-la e o zíper decide que é uma boa hora para descosturar do couro e sair na minha mão e eu, por conseguinte, também concordo que essa podia ser uma boa semana para encher meus pés de bolhas caminhando numa bota de salto por aproximados trinta quilômetros.
Resignada, descemos e tomamos um café da manhã maravilhoso cujo único item absolutamente intragável era o próprio café. Casaco, luvas, câmera, óculos de sol e...
...Algo que está errado não está certo.
Mas tudo bem, gente. Mesmo depois de todos esses percalços, a viagem ainda foi aproveitável, principalmente por causa disso daqui ó:
Desculpa, me enganei. Era isso aqui:
Mentira, era o mozão mesmo.


Comentários
Coitadinha!
Mas to curiosa mesmo com o post do cinto de segurança. Adianta ele aí, please. :P