Capítulo 233 - Mudanças boas também são difíceis

Para quem não está comigo no dia-a-dia, aqui vai um novidade: estou de mudança novamente em breve. Pois é, mais uma vez me mudarei de cidade e de estado, esperando que essa seja a última antes da aposentadoria. Meu destino: Rio Grande do Sul. Quando? Ainda não sei. 

Para quem não sabe, em 2020 eu me casei com um servidor da Unipampa. Desde então, nós estamos tentando redistribuição (é assim que se chama o processo de "transferência" de servidores públicos federais) para ficarmos juntos. Ou ele vindo para Lavras, ou eu indo para Alegrete. Tanto faz, como tanto fez. O importante era ficarmos juntos e a cláusula número 1 do acordo para nos casarmos era saber que essa situação poderia se resolver de qualquer uma dessas formas (ou até de uma terceira, inclusive). 

E parece que finalmente vai se resolver com a minha ida para lá, após muitos baixos (não teve "altos" nessa situação). Em fevereiro de 2022, o Diego quase veio para cá. Só não veio, pois meus colegas de trabalho, quando tiveram a oportunidade de votar pela redistribuição dele, votaram por abrir um concurso. E lá se foram meses com recaída da depressão, sem vontade de sair da cama. 

Até que finalmente, em junho deste ano, consegui a oportunidade de permutar com uma professora da Unipampa. Ela estava de acordo, eu estava de acordo. Só tinha um problema: ela não é engenheira civil, mas mecânica/materiais, o que impediria uma troca direta. E dá-lhe conversa, dá-lhe acordo. Conseguimos que ela fosse para outro departamento na UFLA que precisava de alguém com o perfil dela; este departamento repassaria a vaga disponível para a Engenharia Civil, para que eles pudessem me repor. Na Unipampa, a Engenharia Mecânica abriu mão da vaga para que eu pudesse me reunir com meu marido. Outra mentalidade, né. Enfim...

Todo mundo estava conversado, agora faltavam as oficializações. E começa o processo. E, nossa, que processo extenso, cansativo e moroso. Para vocês terem uma ideia...: primeiro tramita lá, depois vem para cá e tramita aqui, por último, vai para o MEC. E dá-lhe reunião, dá-lhe votação. Só aqui na UFLA foram 6 reuniões, em 6 instâncias, para isso acontecer. E em cada uma dessas reuniões, o nervosismo tomava conta, não tinha jeito. Escaldada do jeito que estava... Então, tranquila mesmo eu só fiquei depois que a última votação ocorreu dentro da UFLA. Isso foi na quinta-feira passada. Agora o processo vai pro MEC e dali só sai quando Deus quiser (espero que Ele queira logo). 

Até lá, eu, pessoa com ansiedade que sou, mesmo que medicada, fico nessa angústia infinita. Não estou lá, mas também não estou aqui. Tive que encerrar minhas orientações, meus projetos de pesquisa e extensão. Não posso ainda fazer mudança, pois existe a possibilidade de eu ainda estar aqui no começo do semestre que vem, não posso começar oficialmente nada por lá. E no meio disso tudo, eu ainda tenho que estar com todos os meus planos engatilhados, porque quando sair a transferência no DOU, eu tenho de 10 a 30 dias para entregar tudo aqui e já estar lá para assumir o cargo. Vender móveis, enviar mudança, pintar e entregar apartamento, encerrar conta de luz, internet, plano de saúde, pegar meu carro, meu cachorro e dirigir 1.800 km (planejar rota, reservar hotel, revisar carro). 

Então vocês já imaginam, meu emocional e psicológico estão em frangalhos. Então mesmo com essa perspectiva de que em breve a transferência vai ser efetivada, no meio disso tudo eu sofro. Ou tento assimilar meus sentimentos. É coisa pra caramba que tá acontecendo.

Socorro.

Ah, mas você não está feliz porque vai ficar junto do seu marido? Sim, estou. Além de finalmente poder me estabelecer em um lugar e criar raízes, parte da minha felicidade também vai advir de não precisar mais responder sugestão idiota de quem não sabe nada a respeito de redistribuição, mas isso é tema para o próximo post (já aviso que vai ser escrito com o fígado).

Mas eu também estou triste. Muito triste. Aliás, estou em Lavras há 5 anos e meio, eu fiz amigos por aqui e estabeleci uma rotina. Eu gosto da cidade, o campus da UFLA é lindo, recheado de árvores frondosas, tucanos, seriemas. Eu sei que, onde quer que eu more, sempre haverá ressalvas, mas de maneira geral gosto do clima daqui, dos restaurantes, da fauna e flora. E, novamente, vou ter que começar quase do zero. Isso cansa e amedronta. Não é fácil mesmo. 

Enfim...

Resumindo: mudanças boas e desejadas também vêm carregadas de aspectos negativos. Por favor, tenham paciência e sejam empáticos com seus amigos que estão temerosos com o que está por vir, mesmo que ele tenha pedido, desejado e lutado muito para conquistar exatamente isso. Suporte, muitas vezes, é só estar ao lado mesmo, ouvindo. 

Então obrigada por me ouvirem.

Comentários

Rogério disse…
Conheci vc, professora Raquel, apenas neste semestre 2023/2, mas o suficiente pra perceber o quanto guerreira vc é. Parabéns pela sua história e q seja muito feliz neste novo caminho.

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