Capítulo 2 - Inteligência se discute?
Uma das primeiras coisas que percebí ao entrar na faculdade é que as coisas seriam tremendamente diferentes do colégio. As notas, principalmente. Isso demorou apenas 1 mês, até as primeiras notas de Cálculo I sairem. Pra quem antes estava acostumada a só ter médias de 8 pra cima, um 1,0 não foi nada agradável.
A faculdade exige um mínimo de estudo e de dedicação (OBS: amanhã eu tenho prova de Estrutura dos Sólidos e estou aqui escrevendo no meu blog) que o colégio não requisitava. Colégio é fácil, convenhamos. Sempre caguei pro colégio e passava de ano antes do último bimestre começar.
Uma outra diferença básica do colégio pra faculdade eu demorei um pouquinho mais pra perceber. Digamos que mais uns 2 períodos. Essa diferença é de que as notas não necessariamente refletem a inteligência das pessoas. Pelo menos não na minha faculdade, pelo menos não em um curso de engenharia. Se você acha que isso tudo aqui é uma mágoa do meu 1,0 em cálculo I considere-se extremamente equivocado. Estudei, tirei 10 na segunda prova e consegui passar com uma média maior que 6,0 com a prova final.
Mas o que estava dizendo? Aah sim, notas, inteligência, aquele papo todo. Óbvio que os meus colegas de turma não são completamente ignorantes; aliás, eles passaram no mesmo vestibular que eu e pra uma faculdade federal.
Alguns dos meus amigos têm uma genialidade inacreditável, senão em cálculo e física em quaisquer outros assuntos cotidianos. Não posso negar que dos 80 ingressantes de 2005 uns 5 se destacam notoriamente; outros 10 eu diria que são "gênios anônimos" (muitos deles são gênios do humor; porque só com muita piada mesmo pra agüentar uma faculdade de engenharia).
Mas a verdade é que estou cercada de idiotas. Sim, idiotas completos. Pessoas alienadas que pensam ser a faculdade a coisa mais importante de suas vidas. Pasme, não é. A capacidade que eles possuem de decorar fórmulas e suas aplicações só é superada pela imbecilidade em qualquer outro ramo da vida. Não considero inteligente uma pessoa que vai em todas as aulas, só tira notas boas, estuda pra caramba em casa e tem um CR (Coeficiente de Rendimento) maior que 7,0 mas que não consegue ter uma conversa decente por mais de 2 minutos.
Ah sim, por conversa decente, por favor não entenda "discussão sobre as partículas elementares", "A otimização dos processos de obtenção da anti-matéria" nem nada do tipo. Muito pelo contrário. Defendo ser uma conversa decente aquela que prova ser o outro, conhecedor de diversas áreas. Qualquer área. Já tive milhares de conversas ótimas a respeito da personalidade e da falta dela, assim como conversei sobre comida, medicina, música e dor de barriga. Não precisa ser nada elaborado, só precisa ter um bom conteúdo.
Mas voltando ao assunto principal, já tentei inúmeras vezes conhecer mais a fundo algumas figuras com as quais convivo na faculdade. Algumas até diariamente. Existem pessoas que eu passo mais de 25 horas semanais do lado e mesmo assim nós não conversamos. O assunto se restringe à faculdade, notas, professores, matéria, ou até mesmo aquelas fofoquinhas maldosas e sem embasamento sobre os tão queridos coleguinhas. E se o assunto tende pra um lado mais profundo ou menos formal logo as palavras cessam.
Talvez não por falta de interesse, mas sim por falta de conteúdo mesmo. Eu fico me perguntando se eu deveria levar a faculdade mais a sério, torná-la uma parte maior das minhas preocupações, ou eles que deveriam levar a vida menos a sério.
Gente, a vida é uma piada.
Comentários
Foda!
O bom é quando encontramos pelo menos uma pessoa com a qual vale a pena conviver...