Capítulo 48 - Paradisíacas praias e pousadas de Paraty
Nem todo mundo aqui sabe, mas é fato que eu sou uma pessoa muito chorona. Eu choro de tristeza, de rir, de angústia, por ter desapontado minha mãe, de vergonha, de raiva e de desespero. E sexta-feira, caros leitores, foi dia de chorar de desespero.
Aparentemente passei o maior perrengue da minha vida na sexta, porque ficar perdida no Heathrow com 17 anos com sua bagagem extraviada pra Amsterdan pareceu legal perto disso. Até porque ficar abandonada num dos aeroportos mais importantes do mundo não é certeza de que você vai ser assaltada/seqüestrada/estuprada/morta a qualquer momento. E ficar parada no meio da BR 101 sem saber pra onde ir, é!
Como meus leitores assíduos sabem, fui pra Paraty (de ônibus) esse fim de semana para o casamento da minha amiga. Como Rafa estava em São José dos Campos, marcamos de pegar ônibuses (assim como o plural de "lápis" é "lápises", o plural de "ônibus" é "ônibuses") que chegassem mais ou menos na mesma hora no destino final. Claro que eu cheguei 1h30 antes do Rafael e fiquei sentada na rodoviária esse tempo todo vendo pessoas chegando e indo embora, bêbados, gringos, lojas fechando e etc. Quem lê freqüentemente esse blog, sabe que isso seria o mínimo a acontecer.
Ok, então 10:30 Rafael chegou, e nós (eu previamente informada que o taxi pra Pousada sairia por 40 reais e o ônibus 2,60), movidos por aquele espírito sovina que eu já falei pra vocês, pegamos o último ônibus que saía da rodoviária nessa direção.
- Passa no bairro de São Gonçalo?
- Passa sim.
Avisamos a motorista e ao cobrador que queríamos parar lá (só pra garantir) e enfrentamos uma hora de uma viagem alucinada num ônibus urbano e uma estrada que mais parecia uma montanha-russa, a uns 90 km/h nas últimas cadeiras. Quando de repente o motorista para e fala "é aqui". Colegas (bem ao estilo suburbano mesmo), estávamos do meio do NADA! Não tinha um posto de gasolina, uma pracinha, uma placa "Pousada São Gonçalo, não se desespere, é ali!". NA-DA!
Então tá, descemos. Rafael sugeriu que atravessássemos a rodovia e fôssemos pra uma estrada adjacente. Pareceu-me uma boa idéia. Vimos uma fazendinha ali perto e uma carro chegando e resolvemos pedir informação.
- A pousada fica ali em cima.
- É longe?
- Não muito.
- Tem como você dar uma caroninha pra gente?
- Ééé.. sabe como é.. é que o carro é do meu pai..
- Ah, tá, ok. Obrigada.
Fomos pedir ajuda então pra casa da frente. Ninguém atendeu. Eis que o celular do Rafa toca (era o sogrão) e nós tivemos a brilhante idéia de pedir ajuda pro dono da Pousada.
"Eu anotei o número", lembrei-me. Olho na agenda do celular, nada de "Pousada" ou "São Gonçalo" ou "Hotel" ou qualquer coisa do gênero. Foi aí que as lágrimas começaram a cair, as mãos a tremer e os pensamentos mais absurdos a vir. E Rafael falando "Fica calma, fica calma. Não chora! Vai dar tudo certo". Num momento de lucidez, eu me lembrei que havia anotado o número num papel, e lá estava ele! "Agora vai dar tudo certo, vamos ficar bem", e Rafael foi em direção ao orelhão mais próximo.
Quando ele volta, com aquela cara de desespero estampada na cara, eu percebo que algo havia dado errado. "O orelhão não quer funcionar". Insistimos em bater na porta da casinha da frente, tinha alguém lá dentro, se mexendo, televisão ligada, mas a pessoa não queria nos ajudar! Resolvemos falar com a casa atrás de nós, e uma menina de uns 13 anos atendeu.
- A Pousada São Gonçalo é lá pra cima.. uns 10 minutos andando.
- Vocês podem emprestar o telefone pra gente, por favor?
- É pra celular?
- Não, é telefone fixo local mesmo.
- Mãe... **muxoxos**... O telefone tá quebrado.
- Tá, ok, obrigada.
E decidimos ir a pé mesmo. E andamos, cada um com uma mochila pesada nas costas e uma mala nas mãos, não 10 minutos como a filha da puta da menininha tinha falado, mas uns 40 minutos, pedindo informação a cada 40 metros e rezando pra alguém ajudar a gente. Haviam trechos sem nenhuma iluminação e àquela hora a maioria dos pouquíssimos habitantes já estavam dormindo. E as minhas lágrimas ainda estavam rolando e o otimismo do Rafa a este ponto já estava sumindo, e de vez em quando ele soltava umas frases pra me ajudar como "Você sabe que se a gente morrer por aqui ninguém nunca vai saber, né?" e etc.
Quando finalmente pedimos ajuda numa casa de velhinhos e o velhinho resolveu levar a gente de carro lá. Louvados sejam. Chegamos meia-noite na pousada, com todas as janelas fechadas e nenhuma recepção. Rondamos o local por aproximadamente uns 10 minutos até que o Rafa bateu numa porta e muito cagadamente atendeu o dono da pousada. Finalmente chegamos, tomamos banho e descansamos.
E a moral da história é que eu aprendi que é preferível gastar 40 reais a ficar perdida no meio do nada, e que quando eu morar num fim do mundo do caralho e aparecerem dois jovens com cara de desespero sem conhecer nada da porra do lugar, eu vou oferecer ajuda.
O problema é que eu não tenho planos de ir morar num lugar assim. Nunca.
Aparentemente passei o maior perrengue da minha vida na sexta, porque ficar perdida no Heathrow com 17 anos com sua bagagem extraviada pra Amsterdan pareceu legal perto disso. Até porque ficar abandonada num dos aeroportos mais importantes do mundo não é certeza de que você vai ser assaltada/seqüestrada/estuprada/morta a qualquer momento. E ficar parada no meio da BR 101 sem saber pra onde ir, é!
Como meus leitores assíduos sabem, fui pra Paraty (de ônibus) esse fim de semana para o casamento da minha amiga. Como Rafa estava em São José dos Campos, marcamos de pegar ônibuses (assim como o plural de "lápis" é "lápises", o plural de "ônibus" é "ônibuses") que chegassem mais ou menos na mesma hora no destino final. Claro que eu cheguei 1h30 antes do Rafael e fiquei sentada na rodoviária esse tempo todo vendo pessoas chegando e indo embora, bêbados, gringos, lojas fechando e etc. Quem lê freqüentemente esse blog, sabe que isso seria o mínimo a acontecer.
Ok, então 10:30 Rafael chegou, e nós (eu previamente informada que o taxi pra Pousada sairia por 40 reais e o ônibus 2,60), movidos por aquele espírito sovina que eu já falei pra vocês, pegamos o último ônibus que saía da rodoviária nessa direção.
- Passa no bairro de São Gonçalo?
- Passa sim.
Avisamos a motorista e ao cobrador que queríamos parar lá (só pra garantir) e enfrentamos uma hora de uma viagem alucinada num ônibus urbano e uma estrada que mais parecia uma montanha-russa, a uns 90 km/h nas últimas cadeiras. Quando de repente o motorista para e fala "é aqui". Colegas (bem ao estilo suburbano mesmo), estávamos do meio do NADA! Não tinha um posto de gasolina, uma pracinha, uma placa "Pousada São Gonçalo, não se desespere, é ali!". NA-DA!
Então tá, descemos. Rafael sugeriu que atravessássemos a rodovia e fôssemos pra uma estrada adjacente. Pareceu-me uma boa idéia. Vimos uma fazendinha ali perto e uma carro chegando e resolvemos pedir informação.
- A pousada fica ali em cima.
- É longe?
- Não muito.
- Tem como você dar uma caroninha pra gente?
- Ééé.. sabe como é.. é que o carro é do meu pai..
- Ah, tá, ok. Obrigada.
Fomos pedir ajuda então pra casa da frente. Ninguém atendeu. Eis que o celular do Rafa toca (era o sogrão) e nós tivemos a brilhante idéia de pedir ajuda pro dono da Pousada.
"Eu anotei o número", lembrei-me. Olho na agenda do celular, nada de "Pousada" ou "São Gonçalo" ou "Hotel" ou qualquer coisa do gênero. Foi aí que as lágrimas começaram a cair, as mãos a tremer e os pensamentos mais absurdos a vir. E Rafael falando "Fica calma, fica calma. Não chora! Vai dar tudo certo". Num momento de lucidez, eu me lembrei que havia anotado o número num papel, e lá estava ele! "Agora vai dar tudo certo, vamos ficar bem", e Rafael foi em direção ao orelhão mais próximo.
Quando ele volta, com aquela cara de desespero estampada na cara, eu percebo que algo havia dado errado. "O orelhão não quer funcionar". Insistimos em bater na porta da casinha da frente, tinha alguém lá dentro, se mexendo, televisão ligada, mas a pessoa não queria nos ajudar! Resolvemos falar com a casa atrás de nós, e uma menina de uns 13 anos atendeu.
- A Pousada São Gonçalo é lá pra cima.. uns 10 minutos andando.
- Vocês podem emprestar o telefone pra gente, por favor?
- É pra celular?
- Não, é telefone fixo local mesmo.
- Mãe... **muxoxos**... O telefone tá quebrado.
- Tá, ok, obrigada.
E decidimos ir a pé mesmo. E andamos, cada um com uma mochila pesada nas costas e uma mala nas mãos, não 10 minutos como a filha da puta da menininha tinha falado, mas uns 40 minutos, pedindo informação a cada 40 metros e rezando pra alguém ajudar a gente. Haviam trechos sem nenhuma iluminação e àquela hora a maioria dos pouquíssimos habitantes já estavam dormindo. E as minhas lágrimas ainda estavam rolando e o otimismo do Rafa a este ponto já estava sumindo, e de vez em quando ele soltava umas frases pra me ajudar como "Você sabe que se a gente morrer por aqui ninguém nunca vai saber, né?" e etc.
Quando finalmente pedimos ajuda numa casa de velhinhos e o velhinho resolveu levar a gente de carro lá. Louvados sejam. Chegamos meia-noite na pousada, com todas as janelas fechadas e nenhuma recepção. Rondamos o local por aproximadamente uns 10 minutos até que o Rafa bateu numa porta e muito cagadamente atendeu o dono da pousada. Finalmente chegamos, tomamos banho e descansamos.
E a moral da história é que eu aprendi que é preferível gastar 40 reais a ficar perdida no meio do nada, e que quando eu morar num fim do mundo do caralho e aparecerem dois jovens com cara de desespero sem conhecer nada da porra do lugar, eu vou oferecer ajuda.
O problema é que eu não tenho planos de ir morar num lugar assim. Nunca.
Comentários
Acho que eu também teria escolhido o ônibus - afinal, não poderia ser tão longe, né?
ps.: eu quero o meu blog de volta! :~(
O maior perigo certamente foi estar acompanhada de seu namorado, mais conhecido como "imã de viado-puta-e-ladrão-drogado"!
Normalmente não existe regiões paralelas em rios assim tão perto ... então mais uma pra quebrar os "10 minutinhos"
depois: ah quando acabar o asfalto segue pela ruazinha de terra... e NADA de acabar o asfalto...
enfim...
Huahuhua...
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Histórias para Ler
Deram sorte de não ver nenhum chipa cabra no caminho...
Boa sorte nas prox viagens!
Bjus
Mas, enfim...melhor andar horas e horas num lugar ermo ao ser assaltados, né!?
Pense pelo lado positivo de tudo =DD
40 minutos
ihh
vcs estavam na ilha de lost!!!
mas kra, angra, paraty tem tanto lugar bom, vcs foram parar no casebre de judas
pqp!!!
ja citei anteriormente e volto a falar
Mãe de santo
papa
padre kevedo
sei lá!!!
Parabéns pelo blog!
=]
Peguei um hotel barato, era um Holiday Inn, dizia no site que estava a 2km dos principais pontos de interesse da cidade. Pensei, beleza 2km eu ando na boa. Só que esses 2km eram em uma auto-estrada, não dava pra andar e nem tinha ônibus, eu precisaria alugar um carro ou pegar táxi, que tinha que ser chamado do hotel, porque eles não circulavam naquela área e nem tinha ponto por lá. Que merda! Me f***
Então consegui um táxi pro centro de Verona, e lá me hospedei um um hotel, que custava o dobro do preço, mas saiu mais barato do que pegar condução todo dia pra passear no centro.
Nessas horas, principalmente quando você não conhece o lugar, tenha cuidado com economias que podem ser ilusórias.