Capítulo 152 - Aventuras de um PED
Entro na sala de aula. Por volta de 40 alunos me encaram com seus melhores olhares de expectativa. "E não é o meu sucesso que eles estão esperando" resigno-me.
- Vamos resolver a lista de exercícios hoje - digo - quem não quiser acompanhar a aula, não precisa ficar, não vou dar falta - viro-me para o meu caderno.
Sentada na primeira fileira há uma aluna típica dessa geração adorável: camiseta da Abercrombie, shorts antes da metade da coxa, iPhone num case de bichinho e postura autossuficiente.
- Professora, você pode colocar os enunciados da lista no quadro? - ela pergunta, com a sua ensaiada carinha de anjo.
- Ué - admiro-me - a lista está no site tem duas semanas. Você não imprimiu ou tirou xerox de ninguém? - indago, aliás, são apenas duas folhas, duas míseras folhas.
- Olha só - ela me responde. Sim, exatamente nesse tom - eu não tenho impressora em casa (a-hã..), não vou ficar gastando R$400,00 por mês em xerox (2 folhas..) e não concordo em ficar gastando papel à toa (à toa..). Eu faço os exercícios direto do computador (ou iPhone?).
Olho pra ela sem alterar um músculo sequer da minha expressão facial e, com a calma de alguém que facilmente poderia matá-la com as próprias mãos de, no mínimo, 3 maneiras diferentes, respondo:
- Ok.
E escrevo um exercício na lousa.
Passados mais alguns minutos, um dos alunos me pergunta se é possível resolver as questões graficamente. Digo:
- Claro que sim! O método gráfico está aí para facilitar a vida de vocês. Aliás, não esqueça o material de desenho para a prova: régua, compasso, transferidor, papel milimetrado..
- O que? Como assim papel milimetrado? - Nossa amiga sai de seu estado letárgico - Isso o professor que vai trazer, né?
- Não sei, oras. Melhor trazer por via das dúvidas, né? - responde meu senso prático.
- Não. Ele TEM que trazer! - ouço de volta.
- Se esse é o seu problema, eu trago uma folhinha pra você. - Ela se cala.
Duas semanas depois recebo o calhamaço de provas. Fico incubida de corrigir 50% das questões. Pego a prova dela, leio, viro, reviro, procuro...
- É, não tem jeito mesmo. Vai ser zero mesmo.
- Vamos resolver a lista de exercícios hoje - digo - quem não quiser acompanhar a aula, não precisa ficar, não vou dar falta - viro-me para o meu caderno.
Sentada na primeira fileira há uma aluna típica dessa geração adorável: camiseta da Abercrombie, shorts antes da metade da coxa, iPhone num case de bichinho e postura autossuficiente.
- Professora, você pode colocar os enunciados da lista no quadro? - ela pergunta, com a sua ensaiada carinha de anjo.
- Ué - admiro-me - a lista está no site tem duas semanas. Você não imprimiu ou tirou xerox de ninguém? - indago, aliás, são apenas duas folhas, duas míseras folhas.
- Olha só - ela me responde. Sim, exatamente nesse tom - eu não tenho impressora em casa (a-hã..), não vou ficar gastando R$400,00 por mês em xerox (2 folhas..) e não concordo em ficar gastando papel à toa (à toa..). Eu faço os exercícios direto do computador (ou iPhone?).
Olho pra ela sem alterar um músculo sequer da minha expressão facial e, com a calma de alguém que facilmente poderia matá-la com as próprias mãos de, no mínimo, 3 maneiras diferentes, respondo:
- Ok.
E escrevo um exercício na lousa.
Passados mais alguns minutos, um dos alunos me pergunta se é possível resolver as questões graficamente. Digo:
- Claro que sim! O método gráfico está aí para facilitar a vida de vocês. Aliás, não esqueça o material de desenho para a prova: régua, compasso, transferidor, papel milimetrado..
- O que? Como assim papel milimetrado? - Nossa amiga sai de seu estado letárgico - Isso o professor que vai trazer, né?
- Não sei, oras. Melhor trazer por via das dúvidas, né? - responde meu senso prático.
- Não. Ele TEM que trazer! - ouço de volta.
- Se esse é o seu problema, eu trago uma folhinha pra você. - Ela se cala.
Duas semanas depois recebo o calhamaço de provas. Fico incubida de corrigir 50% das questões. Pego a prova dela, leio, viro, reviro, procuro...
- É, não tem jeito mesmo. Vai ser zero mesmo.
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