Capítulo 166 - Quem não quer ser ajudado

Sou do tipo de pessoa que defende o silêncio como melhor resposta a uma ofensa vazia, argumento inválido, assuntos desinteressantes ou ideias por demais fora da realidade. Justamente por isso, quando nas CNTPs, passo 90% do tempo quieta. Isso, claro, até você me conhecer melhor.

Depois de adquirido certo grau de intimidade, eu digo que sua ofensa é vazia, seu argumento é inválido, seu assunto é desinteressante e a sua ideia é por demais fora da realidade. Apesar dessa minha auto-descrição um tanto quanto crua (e cruel), sempre fui uma pessoa muito sensível ao que as pessoas me dizem, me magoo fácil. Logo, tento dizer o que creio que deve ser dito com um certo grau de cuidado, de forma a não ferir os outros. Dar a notícia devagar, com carinho, pois é justamente dessa maneira que eu gosto de ser tratada.

Contudo, há certas situações em que esse lance de falar as coisas com inúmeros floreios se torna tão complicado e confuso que, mesmo tendo sido requisitada a minha opinião, é melhor não falar nada. Dou um tempo pra pessoa ouvir o que ela mesma está dizendo e, tomara, um dia ela percebe que está sendo absurda. Só que, é incrível, é só eu passar por essa fase que as pessoas começam a abusar dessa minha boa vontade de ouvir sandices e extrapolam todos os limites do aceitável. Aí entram os tapas na cara verbais e, se não surtirem efeito, as fortíssimas ironias.

Minha faceta racional luta diária e constantemente com a minha faceta emocional. Ao mesmo tempo que entendo, respeito e me sinto até lisonjeada com o fato de algumas pessoas pedirem a minha opinião, eu não vejo sentido algum em fazer isso e ao mesmo tempo cagar baldes pro que eu digo. Eu, quando peço a opinião de alguém, ouço e levo em conta. Não que eu vá decidir pelo que a pessoa me falou, mas já é uma maneira de me balizar melhor no mundo real, sem deixar meus medos, anseios e desejos interferirem tanto na minha análise do quadro. Posso estar errada, mas acho que deveria ser pra isso o ato de pedir a opinião de alguém e não simplesmente esperar ouvir o que se quer ouvir.

Quando alguém vem me dar opinião sem pedir, aí eu já ouço com muito mais atenção. Dado o meu comportamento por vezes hostil e autossuficiente demais, provavelmente o negócio tá feio mesmo pro meu lado pra alguém se dispor a me alertar e correr o risco de levar um chute rodado no meio da face.

Brincadeira.

Eu jamais faria isso com alguém que está tentando me ajudar.

Por telefone.

Enfim, o desabafo foi só pra vocês se ligarem de uma coisa: eu não sou a única pessoa desse jeito no mundo. Se você está pedindo a opinião das pessoas e elas estão ou falando demais ou ficando quietas demais, se ligue, você provavelmente está fazendo uma merda federal.

Comentários

O negócio dos amigos com sinceridade brutal (qdo n eh escrotisse, claro, n gosto de quem disfarça crueldade de sinceridade) e poder confiar e muito na opinião dessas pessoas quando elas dizem algo que nos agrada...Parece que tem peso 2...
mas não é pros fracos não...
Michele Pupo disse…
Raquel

As pessoas gostam de ouvir coisas que vão ao encontro daquilo em que elas acreditam. É idiota, eu sei , mas o fato é que "dar o braço a torcer" é algo doloroso e difícil.
É preciso ter um "saco" deste "tamanhão" para suportar sarnas com PHD em orgulho. rsrs

Beijos

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