Capítulo 228 - Mais importante do que ter planos
Esses dias estava filosofando com um amigo a respeito do propósito da nossa existência. Eu, apesar de não ter nenhum apreço especial pela humanidade, sempre tive aqui dentro uma necessidade de deixar um legado. Ainda não entendi muito bem essa minha contradição e nem de onde vem essa vontade. Talvez nem seja realmente a necessidade de deixar um legado, mas de sentir que a minha vida tem um objetivo maior do que só simplesmente ser.
Todo esse questionamento veio do alinhamento de dois planetas: a finalização do doutorado e o término do semestre letivo. Vem o "ócio" (muito entre aspas, acho que seria mais "a ausência de compromissos urgentes") e aquela pergunta que até agora martela na minha cabeça: o que eu vou fazer com todas essas horas livres? Meu amigo respondeu simplesmente: "viver, Raquel", e caramba, então eu não estava vivendo antes?
O que é viver? O que é existir?
Droga, voltei para o começo da discussão.
Só sei que Deus me livre de viver a vida Zecapagodiando, no estilo "Deixe a vida me levar". Eu sou do tipo de pessoa que PRECISA ter planos definidos na vida para me sentir motivada a levantar da cama e fazer as coisas. Aliás, se eu não tenho um objetivo, nem que seja a curto prazo, o niilismo bate forte e a depressão vem junto. Se nada do que eu faço serve para nada, então vou ficar aqui no sofá comendo cheetos com requeijão e assistindo série. E não tem problema algum se você escolheu fazer isso no seu tempo livre, mas o maior medo da minha vida é estar velhinha, olhar para trás e perceber que eu desperdicei essa experiência linda e assustadora que é estar viva, que não aproveitei o máximo que eu podia, que não me desenvolvi o máximo que eu conseguia.
Gente, calma, vocês já me conhecem e sabem que eu não sou a doida da produtividade. Eu fico pensando do lado pessoal mesmo. Eu quero aproveitar esse mundão!
Ok, mas o meu objetivo com esse post era outro. Deixa eu retomar a linha de raciocínio. Eu aprendi que ter objetivos definidos é importante para mim. Eu aprendi que não ter objetivos me deixa ansiosa, niilista e depressiva. Mas eu também aprendi que, mais importante do que ter planos futuros, é saber mudar ou adaptar os seus planos quando necessário.
Se hoje eu fosse conversar coma Raquel de uns 12 anos atrás, ela ficaria chocada passada com os rumos que a nossa vida tomou. Àquela época eu achei que iria casar cedo, formar uma família, trabalhar numa empresa bacana de projetos grandes de engenharia. E onde estou hoje? Casei com 33 anos (não acho tarde, mas, enfim, a sociedade pensa diferente), não pretendo ter filhos, sou professora do ensino público. E sou MUITO feliz com a minha vida e com os rumos que ela tomou. O clichê não poderia ser mais verdadeiro: no meio dos meus planos, a vida aconteceu. E saber adaptar esses planos e as consequentes expectativas é muito duro, mas essencial para não viver uma vida de frustração.
Pois é, acho que no fundo, eu sigo um pouco a escola Zecapagodiana. Mas eu não deixo a vida me levar, não. Eu tento dar um rumo à ela. Se ela insistir muito em desviar, a gente entra num acordo e cada parte cede um pouco.
E assim termino esse ano com oito postagens (até o momento) nesse blog outrora declarado morto. O plano era uma postagem por mês. Consegui? Não. Mas estou orgulhosa demais por ter insistido um pouquinho mais, ao invés de simplesmente assistir série comendo cheetos com requeijão. Ele ainda respira com ajuda de aparelhos, mas aos poucos recobra a consciência.
Fiquem bem!
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