Capítulo 73 - Jamais corra para pegar um ônibus
Algo me diz que eu não devo mais correr pra pegar o ônibus. A primeira vez que fui tomada pela euforia de ver um 998 via Linha Vermelha no ponto de ônibus, às 5 horas da tarde, com o ponto de ônibus simplesmente lotado de pessoas e nenhuma delas na fila do 998, vi-me numa corrida desenfreada com o amigo Marcelo. Quer dizer, seria desenfreada se eu não tivesse caído ridiculamente no canteiro no meio do caminho. Foi uma queda cinematográfica e quase em câmera lenta. Uma hora eu estava correndo em ritmo frenético, logo depois, pego-me pensando "Nossa! Tá demorando pro meu pé chegar no chão... Ué, cadê o chão? Porque a grama tá chegando perto desse jeito estranho?". Pronto. Estava caída, abraçando o mundo com um amor inigualável. Dei até uma roladinha no final. Lindo, cinematográfico e absurdamente constrangedor.
Marcelo ajudou-me a levantar. Perguntou-me se eu estava bem. Mauro acenou preocupado ao longe. Eu estava bem. Eles obviamente morreram de rir. Levantei-me, não tive a audácia de olhar para os lados e entrei no ônibus como se nada houvesse acontecido.
A segunda vez que eu corri pra pegar o ônibus (esse relato vai ser curto e grosso) o ônibus foi assaltado. Aquela vez do capítulo 31.
A terceira vez foi hoje. Eu e Rafael vimos o ônibus ao longe no ponto do CT.
"Vamos correr?"
"Ah não, estou com sede. Vou comprar uma água aqui, se der tempo a gente pega."
Deu tempo. A gente teve que dar aquela corridinha básica, miudinha, quase um trote. Aquela corridinha que não adianta de nada, que se você for andando você chega ao mesmo tempo, mas que pelo menos dá a impressão de que você não é folgado demais pra ir andando despreocupadamente pegar o ônibus fora do ponto. Mas foi uma corrida.
O motorista parou. Que legal, estamos com sorte. Não é todo motorista que para aqui do outro lado. A maioria deles é um bando de filhos da puta que adora ver meia dúzia de pessoas acenando inutilmente enquanto ele passa cheio de lugares vazios. Olha, mais sorte ainda! Tem dois lugares juntos mais lá atrás.
Sentamos.
Estava tudo na maior das normalidades quando, no final da Linha Vermelha, um cara que estava em pé agacha-se no corredor. Ri ao ver um cofrinho. Rafael riu ao ver o cofrinho. O moço da frente também riu por causa do cofrinho. Imaginei que a pasta dele havia caído ou qualquer coisa parecida. Reparei que tinha algo estranho quando o tempo pareceu longo demais pra ele recolher algumas folhas e as pessoas em volta estavam se espremendo mais a frente do ônibus e todo mundo olhava com uma cara indescritível pra nossa direção.
Sim. O cara tinha vomitado. Ali. Só um pouquinho a frente do meu lugar. Eu, que tenho um estômago fraquíssimo, dediquei todas as minhas forças físicas e mentais pra não ver, sentir o cheiro e nem pensar no assunto. Sou capaz de vomitar junto.
Porra, tinha que ser na frente do meu lugar? Que merda! É azar demais. Como disse Rafael, é que nem estar nos andares acima de onde os aviões bateram nas Torres Gêmeas. Se fodeu. Ou passa pelo vômito/fogo, ou pula da janela! Apesar de quase irrefreável, a vontade de puxar as alavancas de segurança foi suprimida. E o vômito, como qualquer outro fluido, ficou à mercê da inércia, se esparramando pra lá e pra cá a cada acelerada e freada. Quando chegou no Terminal, o vômito já tinha uma extensão de 5 metros. E eu ainda respirando pela boca.
O passo seguinte foi tentar bolar alguma estratégia de como sair do ônibus sem ter que pisar no vômito.
"Ah, dá pra desviar" disse o Rafael.
"Pô, você vai me guiando? Porque eu é que não vou olhar pra essa merda, digo, vômito esparramado."
Eis que uma menina que estava atrás de nós teve a brilhante ideia de ir pisando na beiradinha das poltronas. Gênia. Foi aplaudida (de verdade).
E eu, não sei, mas acho que isso tá virando pessoal.
Marcelo ajudou-me a levantar. Perguntou-me se eu estava bem. Mauro acenou preocupado ao longe. Eu estava bem. Eles obviamente morreram de rir. Levantei-me, não tive a audácia de olhar para os lados e entrei no ônibus como se nada houvesse acontecido.
A segunda vez que eu corri pra pegar o ônibus (esse relato vai ser curto e grosso) o ônibus foi assaltado. Aquela vez do capítulo 31.
A terceira vez foi hoje. Eu e Rafael vimos o ônibus ao longe no ponto do CT.
"Vamos correr?"
"Ah não, estou com sede. Vou comprar uma água aqui, se der tempo a gente pega."
Deu tempo. A gente teve que dar aquela corridinha básica, miudinha, quase um trote. Aquela corridinha que não adianta de nada, que se você for andando você chega ao mesmo tempo, mas que pelo menos dá a impressão de que você não é folgado demais pra ir andando despreocupadamente pegar o ônibus fora do ponto. Mas foi uma corrida.
O motorista parou. Que legal, estamos com sorte. Não é todo motorista que para aqui do outro lado. A maioria deles é um bando de filhos da puta que adora ver meia dúzia de pessoas acenando inutilmente enquanto ele passa cheio de lugares vazios. Olha, mais sorte ainda! Tem dois lugares juntos mais lá atrás.
Sentamos.
Estava tudo na maior das normalidades quando, no final da Linha Vermelha, um cara que estava em pé agacha-se no corredor. Ri ao ver um cofrinho. Rafael riu ao ver o cofrinho. O moço da frente também riu por causa do cofrinho. Imaginei que a pasta dele havia caído ou qualquer coisa parecida. Reparei que tinha algo estranho quando o tempo pareceu longo demais pra ele recolher algumas folhas e as pessoas em volta estavam se espremendo mais a frente do ônibus e todo mundo olhava com uma cara indescritível pra nossa direção.
Sim. O cara tinha vomitado. Ali. Só um pouquinho a frente do meu lugar. Eu, que tenho um estômago fraquíssimo, dediquei todas as minhas forças físicas e mentais pra não ver, sentir o cheiro e nem pensar no assunto. Sou capaz de vomitar junto.
Porra, tinha que ser na frente do meu lugar? Que merda! É azar demais. Como disse Rafael, é que nem estar nos andares acima de onde os aviões bateram nas Torres Gêmeas. Se fodeu. Ou passa pelo vômito/fogo, ou pula da janela! Apesar de quase irrefreável, a vontade de puxar as alavancas de segurança foi suprimida. E o vômito, como qualquer outro fluido, ficou à mercê da inércia, se esparramando pra lá e pra cá a cada acelerada e freada. Quando chegou no Terminal, o vômito já tinha uma extensão de 5 metros. E eu ainda respirando pela boca.
O passo seguinte foi tentar bolar alguma estratégia de como sair do ônibus sem ter que pisar no vômito.
"Ah, dá pra desviar" disse o Rafael.
"Pô, você vai me guiando? Porque eu é que não vou olhar pra essa merda, digo, vômito esparramado."
Eis que uma menina que estava atrás de nós teve a brilhante ideia de ir pisando na beiradinha das poltronas. Gênia. Foi aplaudida (de verdade).
E eu, não sei, mas acho que isso tá virando pessoal.
Comentários
Eu NUNCA faria isso - faria justamente o contrário. Não sei se é coisa da minha cabeça (provavelmente é) mas eu acho que pela boca entram muitos mais germes e toxinas e contaminantes do que pelo nariz - fora que você sente o cheiro do mesmo jeito.
Eu ia sugerir que você pegasse um taxi da próxima vez, mas me lembrei que a Raquel também não tem sorte com taxis.
Já pensou em comprar uma bicicleta?
Acho que vou parar de andar com você!!!
ps.: Quando fui dar o salto sobre o vomito, dei uma escorregadela, e por um segundo pensei "fo-deu". Mas deu tudo certo.
Uma vez, eu estava passando mal no fundão, resolvi ir embora. Peguei um 485 lotado, e com o balanço do ônibus o vômito foi inevitável, só que consegui saltar no último ponto no hospital, e paguei o mico de vomitar no ponto de ônibus com todo mundo olhando, pensando que eu tava bêbado ehehehe. Foi foda.
Bjs
História de vômito....
Quando guri passei mal no colégio, mamãe me buscou e passamos rapidinho na mesbla.... bem.... fomos subir pro primeiro andar.... alguém aí já foi atingido por vômito no subsolo da mesbla da tijuca? Minhas mais sinceras desculpas! Meu instinto juvenil me forçou a vomitar pro lado, no vão das escadas rolantes - longe de mim, e quem sabe.... perto de alguém!
Eu tinha me sentado na janela do 663, e o ônibus estava vazio, que maravilha!No meio do percurso, entrou uma mulher de seus 27 anos,e sentou 2 janelas na minha frente, 2 minutos depois sentou um cara na minha frente, também na janela.Estava querendo chuviscar, então fechei minha janela, mas o cara da frente deixou a janela dele aberta.A mulher pôs a cabeça pra fora e começou a tossir, na mesma hora achei bem estranho aquela tosse profunda.2 Segundos depois ela estava vomitando pela janela e o zé mané da minha frente recebendo tudo no braço, pescoço, cara, isso enquanto eu pulava pra cadeira do corredor me salvando por um triz.Chegando no ponto final, o cara salta todo sujo e a mulher só com mau hálito.Raquel, que tal escrevermos um livro com as histórias de ônibus?Estou vendo que ia ser uma série na verdade, porque não caberia tudo num livro só.Hahaha.Bjs
Outra coisa, a história do tombo é antiga ou você anda caindo muito ultimamente?
Prometa que quando vc terminar a faculdade vc vai juntar todos os capítulos e montar um livro.
Esse negócio de correr atrás do 998 é muito hilário. Teria uma dúzia de histórias para contar.
abraço
Você acha que eu que tenho que subir a serra para ir pra faculdade nunca vi isso?? Vou contar! hahaha
Domingo à noite...quase chegando em Friburgo, sinto um cheirinho de pão de queijo! hahaha! Doce engano....era vômito..e essa não foi a única vez não...tiveram inúmerasss e ah! Eu também já fui a protagonista! Rs...e umas três vezes! kkkk!!!
Boa sorte!!!
Bjo