Capítulo 172 - E tomar banho de sol!

Eu tenho a impressão de que vocês, caros e ardilosos leitores empunhando facas pelas minhas costas, andaram rezando para o Deus Murphy me abençoar essa semana. E não é que ele derramou sua unção sobre mim? E como derramou! Na verdade, ele entornou um caminhão pipa todo com sua bênção.

Pois bem. Domingo eu fui tomar banho na minha casa e senti um cheiro diferente. E não era de CC - adiantando as piadinhas. Não consegui identificar sua origem e logo supus que estava vindo de fora, aliás, com 208 apartamentos num condomínio, por vezes sobe cheiro de picanha, feijão, vômito - ou Cheetos bolinha, tenho dificuldade de distinguir qual é qual.

Quando retornei pra minha casa na segunda-feira à noite e fui novamente tomar banho, o mesmo cheiro ressurgiu. Meu raciocínio lógico logo ligou um fato a outro e eu resolvi arregaçar as mangas imaginárias, vestir meu sobretudo xadrez imaginário e tirar da gaveta a minha lupa imaginária e investigar. Mas meu trabalho de Sherlock Holmes foi rapidamente frustrado e facilitado pelo fato de estar saindo fumaça do fio do chuveiro.



Talvez vocês não saibam, mas eu tenho um pavor irracional de eletricidade, então desliguei o chuveiro no mesmo instante e agradeci pelo fato de só ter percebido depois de ter enxaguado o shampoo (daí a irracionalidade). Passei um leave-in e encerrei meu banho ali mesmo.

Acontece que, por uma força do destino, às terças eu dou aula em Campinas e passo o dia inteiro fora de casa. Acertei com o namorado boçal um banho improvisado na casa dele e voltando pra casa à noite tomei um delicioso banho de canequinha, já que eu não queria ligar o chuveiro nem com o disjuntor desligado (irracional, lembra?).

Quarta-feira eu acertei com o técnico de eletricidade daqui da Prefeitura de ir lá em casa consertar depois do expediente. Ele me passou a lista de materiais, eu comprei e, por um problema de má comunicação, ele não pôde ir na minha casa na quarta-feira. Mais um dia de banho de canequinha.

Quinta-feira o técnico compareceu à minha residência e identificou que a bitola do fio não era compatível com a corrente que o chuveiro demandava. Trocamos toda a fiação da caixa de disjuntores até o chuveiro, trabalho SIMPLES que nos tomou duas horas. Ele testou e funcionou que foi uma beleza.

Então depois de 3 dias de banho de canequinha, duas horas de trabalho de eletricista e 70 reais gastos em lojas de material de construção, eu finalmente estava em êxtase apreciando a maior beleza da modernidade que é água quente caindo do céu quando a resistência queima. 

Depois dessa semana vou morar no mato e só tomar banho de cachoeira.

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