Capítulo 173 - Um elefante incomoda muita gente
Semana passada entrou na prefeitura uma nova mocinha da limpeza que se chama Geni. Tentei ao máximo resistir, mas minha cretinice interior, aquela que aflora quando falam que a sobremesa é "pavê", teve que perguntá-la quantas vezes ela ouviu piadinhas referentes à música de Chico Buarque "Geni e o Zepelim".
Ao fazer tal pergunta, meus colegas de sala se surpreenderam e me indagaram como uma jovem de 26 anos que ouve "tuntz-tuntz-CHARLIE!-tuntuntz-BROWN!" também conhece os clássicos de Chico Buarque. Iniciou-se toda uma catarse a respeito do que exerce uma maior influência na nossa cultura, hobbies, aptidões e gostos musicais: se é a genética ou o ambiente em que vivemos. Como a maioria dos lares ainda é composto por pessoas que dividem a mesma carga de genes e convivem juntas, confesso que esse não deve ser um estudo muito fácil de ser realizado, mas eu tenho certeza absoluta de que lá em casa o que mais influenciou os meus gostos e repulsas musicais definitivamente foram as viagens de 12 horas de Macaé a São Carlos na Caravan.
Só de lembrar essas viagens, já me dá um arrepio na espinha. Doze horas de viagem dividindo um imenso espaço de 3m² com mais 4 pessoas. Por vezes um cachorro. E tudo isso ao som de Kenny G, Fafá de Belém e Fagner. Acho que tendo essa base de comparação, é compreensível porque eu e minhas irmãs amamos ABBA, Beatles e Chico Buarque. Porque nada consegue ser pior do que viajar ao som de Kenny G. Nada mesmo. A vontade era de chorar.
Outro ponto marcante dessas viagens intermináveis é que, como éramos em 3 irmãs, sempre rolava uma luta (e isso não é força de expressão) pra definir quem iria viajar no meio. Depois de anos de gritaria, arranhões, beliscões na perna e tapas coletivos sem sequer olhar pra trás pra ver quem estava apanhando, meus pais tiveram a brilhante ideia de um revezamento de posições no banco. De 4 em 4 horas eles faziam uma parada e uma das filhas ia para o meio receber empurrões, ombradas das outras duas enquanto dormia e bolinhas de papel na boca devido à única posição existente para se dormir no meio que é com a cabeça inclinada a 90 graus para trás. O torcicolo de uma semana era brinde.
E, se naquela época eu achava estressante passar 12 horas dividindo o mesmo banco com minhas duas irmãs, hoje eu analiso a situação por outra ótica e já imagino a paciência que meus pais tinham que ter pra arrumar tudo, dirigir e ainda aturar 3 crianças infernais no banco de trás sem deixar o lado Nardoni tomar conta. Eu lembro um dia que, confesso, nós exageramos e nem mesmo as altas habilidades de monge budista do meu pai resistiram ao trigésimo nono "Incomodam incomodam incomodam..." e ele gritou "PAREM COM ESTA MERDA!". Temi pela minha vida, pois pro meu pai gritar com a gente daquela maneira ele já deveria estar suprimindo a raiva havia no mínimo 3 horas.
E hoje, com cada irmã morando num canto desse país de proporções continentais, eu penso nesses anos em que todas éramos crianças e fazíamos essas viagens longas de família, toda aquela intimidade e amor fraterno e sinto um ALÍVIO TREMENDO! Ainda bem que essa época acabou, pois se a infância tivesse durado uns 3 anos a mais a gente certamente acabaria na coluna policial do jornal!
Ao fazer tal pergunta, meus colegas de sala se surpreenderam e me indagaram como uma jovem de 26 anos que ouve "tuntz-tuntz-CHARLIE!-tuntuntz-BROWN!" também conhece os clássicos de Chico Buarque. Iniciou-se toda uma catarse a respeito do que exerce uma maior influência na nossa cultura, hobbies, aptidões e gostos musicais: se é a genética ou o ambiente em que vivemos. Como a maioria dos lares ainda é composto por pessoas que dividem a mesma carga de genes e convivem juntas, confesso que esse não deve ser um estudo muito fácil de ser realizado, mas eu tenho certeza absoluta de que lá em casa o que mais influenciou os meus gostos e repulsas musicais definitivamente foram as viagens de 12 horas de Macaé a São Carlos na Caravan.
Só de lembrar essas viagens, já me dá um arrepio na espinha. Doze horas de viagem dividindo um imenso espaço de 3m² com mais 4 pessoas. Por vezes um cachorro. E tudo isso ao som de Kenny G, Fafá de Belém e Fagner. Acho que tendo essa base de comparação, é compreensível porque eu e minhas irmãs amamos ABBA, Beatles e Chico Buarque. Porque nada consegue ser pior do que viajar ao som de Kenny G. Nada mesmo. A vontade era de chorar.
Outro ponto marcante dessas viagens intermináveis é que, como éramos em 3 irmãs, sempre rolava uma luta (e isso não é força de expressão) pra definir quem iria viajar no meio. Depois de anos de gritaria, arranhões, beliscões na perna e tapas coletivos sem sequer olhar pra trás pra ver quem estava apanhando, meus pais tiveram a brilhante ideia de um revezamento de posições no banco. De 4 em 4 horas eles faziam uma parada e uma das filhas ia para o meio receber empurrões, ombradas das outras duas enquanto dormia e bolinhas de papel na boca devido à única posição existente para se dormir no meio que é com a cabeça inclinada a 90 graus para trás. O torcicolo de uma semana era brinde.
E, se naquela época eu achava estressante passar 12 horas dividindo o mesmo banco com minhas duas irmãs, hoje eu analiso a situação por outra ótica e já imagino a paciência que meus pais tinham que ter pra arrumar tudo, dirigir e ainda aturar 3 crianças infernais no banco de trás sem deixar o lado Nardoni tomar conta. Eu lembro um dia que, confesso, nós exageramos e nem mesmo as altas habilidades de monge budista do meu pai resistiram ao trigésimo nono "Incomodam incomodam incomodam..." e ele gritou "PAREM COM ESTA MERDA!". Temi pela minha vida, pois pro meu pai gritar com a gente daquela maneira ele já deveria estar suprimindo a raiva havia no mínimo 3 horas.
E hoje, com cada irmã morando num canto desse país de proporções continentais, eu penso nesses anos em que todas éramos crianças e fazíamos essas viagens longas de família, toda aquela intimidade e amor fraterno e sinto um ALÍVIO TREMENDO! Ainda bem que essa época acabou, pois se a infância tivesse durado uns 3 anos a mais a gente certamente acabaria na coluna policial do jornal!
Comentários
Outra coisa de que me lembrei. As implicâncias e encheções quando eu era criança, tanto em viagens quanto simplesmente no trajeto até a escola. Ao longo dos anos, eu passei do banco de trás para o banco do carona.
Ainda não entendo por que a gente gostava do meinho, sendo que sentar no canto eh mil vezes melhor.
Enfim, sobrevivemos à imprudência e também fazíamos longas viagems com música de gosto duvidoso. Lembro duma viagem a Goiás em que a única trilha sonora era uma fita "do" Chitãozinho & Xororó. Acho que é por isso que até hoje eu tenho dificuldade de ouvir aquela música da majestade, o sabiá hahahaha
Mas afinal, a Geni do seu trabalho ouve muita piadinha com o nome dela?
E quanto as lutas eu TB me identifiquei, somos 3 e ate hj eu n entendo como eles GOSTAVAM de juntar E crianças que treinavam MMA o tempo todo, para viajar